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Três morrem após fazer ressonância magnética em hospital de Campinas

Três morrem após fazer ressonância magnética em hospital de Campinas

30/01/2013
Prefeitura recomendou a hospitais a suspensão dos procedimentos com contraste, líquido que melhora a visualização

Três pessoas morreram anteontem em Campinas (a 93 km de São Paulo) após serem submetidas a ressonâncias magnéticas de crânio no hospital particular Vera Cruz.

A causa das mortes ainda é desconhecida. A Polícia Civil e a prefeitura investigam os casos.

Por precaução, houve suspensão na rede municipal de todos os exames que usam contraste, substância aplicada nos pacientes para facilitar a visualização do exame.

As três vítimas - Mayra Monteiro, 25, Pedro Ribeiro Porto Filho, 36, e Manoel Pereira de Souza, 39 - passaram mal cerca de meia hora após o exame, sentindo formigamento, e morreram no hospital.

Segundo o diretor administrativo do Vera Cruz, Gustavo Carvalho, eles foram atendidos por equipes distintas, fizeram os exames em aparelhos diferentes e receberam tipos variados de soro e de contraste.

Os contrastes usados eram à base do elemento químico gadolínio, empregado em ressonâncias, disse a enfermeira sanitarista da prefeitura Brigina Kemp, que acompanha as apurações. "Não temos nenhuma evidência que possa trazer alguma hipótese mais forte sobre o ocorrido."

Outros 83 pacientes fizeram o exame no hospital anteontem; 23 deles também na região do crânio. Ninguém mais apresentou reação após o exame.

Interdição
A Vigilância Sanitária municipal interditou o setor de ressonâncias do Vera Cruz e recomendou que hospitais públicos e privados suspendam exames não urgentes que usem contraste.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou dois técnicos a Campinas. A pedido da prefeitura, a Vigilância Sanitária do Estado enviou uma equipe de farmacovigilância e do setor de radiação ionizante para auxiliar os trabalhos. Produtos usados no atendimento aos pacientes, incluindo lotes fechados, foram recolhidos.

Três tipos de soro (fisiológico, Samtec e Equipex) e duas soluções para contraste (Magnevistan e Dotarem) serão submetidas a testes no Instituto Adolfo Lutz.

Instituição afirma não ter indícios da causa das mortes

O hospital Vera Cruz informou ontem que irá prestar todas as informações necessárias às autoridades, mas que, por enquanto, não tem indícios do que possa ter causado a morte dos três pacientes na unidade.

A instituição afirma ainda realizar cerca de 1.800 exames de ressonância magnética por mês e que não tem nenhum registro de reações graves às substâncias usadas em contrastes.

"Não temos notícias de nenhum caso com risco grave no uso do contraste, daí nossa perplexidade diante da situação", disse o diretor administrativo do hospital, Gustavo Carvalho.

Alteração de pressão
De acordo com ele, há pessoas que têm alteração de pressão ao entrar no equipamento de ressonância ou formigamento por passar muito tempo na mesma posição.

"Eventualmente, o contraste pode gerar uma reação alérgica, mas algo leve, nada que seja suficiente para ocasionar o óbito de três pacientes", afirmou.

Os fornecedores do soro e do contraste são os mesmos usados pelo hospital há anos, segundo ele, e nunca houve problema com os materiais.


Fonte: Folha de S. Paulo