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UnitedHealth, dos EUA, compra a Amil em operação de R$ 9,92 bilhões

UnitedHealth, dos EUA, compra a Amil em operação de R$ 9,92 bilhões

10/10/2012
Americanos pagarão R$ 6,5 bi aos controladores do grupo brasileiro, o restante será destinado aos acionistas minoritários; atuais donos da Amil continuarão com 10% da companhia

A americana UnitedHealth Group (UHG) anunciou nesta segunda-feira a compra da operadora de planos de saúde Amil, em um negócio que pode chegar a R$ 9,92 bilhões. A empresa vai pagar R$ 6,5 bilhões pelos 58,9% que estão nas mãos dos controladoras da companhia: o fundador Edson Bueno e sua sócia e ex-esposa, Dulce Pugliese. O restante será pago aos acionistas minoritários por meio de uma oferta pública de aquisição de ações, que resultará no fechamento de capital da empresa.

Após o operação, a UnitedHealth será dona de 90% da Amil. Os antigos controladores continuarão a deter 10% da empresa por pelo menos cinco anos. Bueno permanecerá nesse período como presidente da Amil, mas com a missão de preparar um sucessor. Ele comprou 0,9% das ações da UHG por US$ 470 milhões e se tornou seu maior acionista individual. Também será um dos dez conselheiros do grupo americano - o único estrangeiro.

A Amil faturou R$ 9,27 bilhões em 2011 e soma 5,9 milhões de beneficiários de seus planos. Esses números colocam a empresa na liderança do mercado brasileiro de planos de saúde, com cerca de 10% de participação, mas bem abaixo dos resultados de sua nova acionista. A UnitedHealth fechou o ano passado com cerca de 75 milhões de clientes no mundo todo e uma receita de US$ 102 bilhões.

Bueno afirmou que nada muda para o cliente da Amil imediatamente, mas que a companhia receberá tecnologia e conhecimento da nova acionista. "A entrada da UnitedHealth vai dar um 'upgrade' na Amil. Em três anos, seremos uma empresa com outra cara, muito melhor", disse Bueno.

"A United é uma empresa muito informatizada e vai tentar implantar esse sistema aqui", disse um consultor do mercado de saúde, que preferiu não se identificar. "Nos Estados Unidos, ninguém assina papelada ou precisa de guias. É tudo online, como é comprar com cartão de crédito. O desafio da empresa vai ser implantar esse sistema aqui."

Negócio
A UnitedHealth já fez mais de 140 aquisições. A da Amil é a maior já feita fora dos Estados Unidos e a segunda mundialmente - só perde para a compra da californiana PacifiCare, por US$ 9 bilhões, em 2005.

Em apresentação a investidores, a companhia americana justificou a compra da Amil pelas grandes oportunidades que vê no mercado brasileiro. Hoje, cerca de 25% da população tem plano de saúde, índice que é de 78% nos Estados Unidos. A UnitedHealth também apontou que, no Brasil, há "significantes oportunidades de consolidação no mercado": há aqui cerca de 1,6 mil operadoras de planos de saúde, 3,6 vezes mais do que nos Estados Unidos.

"Um das coisas que a UHG vai fazer é entrar com força com o sistema de coparticipação", afirmou Bueno. Pelo sistema, o cliente paga à parte uma porcentagem do custo dos serviços que usa. "Tentamos fazer isso, mas não deu certo. Mas essa é a melhor maneira de reduzir custo. Está cheio de aposentados e hipocondríacos que não têm o que fazer e vão ao centro médico, tomar café e passar por consulta", disse ele, em teleconferência com analistas.

Hospitais. A negociação entre as duas empresas começou há três anos, quando o diretor de relações com investidores da Amil, Erwin Kleuser, foi procurado por representantes da UHG. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do fechamento de capital. A estimativa da Amil é fazer a oferta pública no primeiro trimestre de 2013.

Investidores brasileiros e americanos receberam bem a operação - a ação da Amil disparou 14,98% e a da UnitedHealth fechou com leve alta, de 0,82%.

Na a coletiva de imprensa, Bueno foi indagado sobre a possibilidade de o negócio esbarrar nas restrições ao capital estrangeiro em hospitais brasileiros, uma vez que a compra inclui 22 centros médicos da Amil. A lei permite que planos de saúde tenham sócios estrangeiros, mas veta a operação de hospitais por estrangeiras. "Perguntamos isso à Advocacia Geral da União na época da abertura de capital, em 2007, e tivemos parecer favorável", disse Kleuser. A Advocacia Geral da União e a ANS enviaram ao Estado comunicados confirmando o entendimento.


Fonte: O Estado de S. Paulo