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Projeto OncoRede propõe novo modelo de cuidado ao câncer

Projeto OncoRede propõe novo modelo de cuidado ao câncer

05/10/2016

O câncer é um dos maiores desafios para os sistemas de saúde. No Brasil, é a segunda causa de morte na população, e o número de casos tem crescido progressivamente, sendo estimadas 596 mil novas ocorrências apenas este ano. Para enfrentar esse cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está propondo a implantação de um novo modelo de cuidado em oncologia para os beneficiários de planos de saúde. 

O projeto OncoRede, elaborado em parceria com institutos de pesquisa e representantes do setor, propõe um conjunto de ações integradas capazes de reorganizar e aprimorar a prestação dos serviços de saúde. Os resultados esperados são um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico, o estímulo à adoção de boas práticas na atenção ambulatorial e hospitalar e melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer na saúde suplementar. 

O projeto está sendo lançado nesta quarta-feira (05/10). A partir de então, operadoras de planos de saúde e prestadores (hospitais e clínicas) interessados em implementar as medidas deverão enviar à ANS seus projetos. Ao longo de um ano, as experiências serão monitoradas; os modelos que se mostrarem viáveis poderão ser replicados para o conjunto do setor, de forma a estimular mudanças sustentáveis no sistema de saúde.

“Hoje, pode-se dizer que o sistema de saúde brasileiro apresenta inúmeras barreiras para a continuidade do fluxo do paciente na rede assistencial, a fragmentação da trajetória de cuidado do paciente em diferentes prestadores de serviços de saúde, sem que haja um compartilhamento das informações necessárias entre estes atendimentos. Isso acaba atrasando e dificultando o tratamento e piorando os resultados”, afirma a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira. 

Segundo a diretora, dois dos principais problemas que afetam diretamente a efetividade da atenção aos pacientes com câncer no Brasil dizem respeito à qualidade e integração do diagnóstico e das intervenções mais relevantes – quimioterapia, radioterapia, cirurgia - e à ausência de coordenação do cuidado prestado nos diferentes níveis de complexidade da rede na saúde suplementar. 

“Como o câncer exige um cenário de atenção tempestiva, de tratamentos continuados, prolongados, complexos e de alto custo, é fundamental que da suspeita do câncer ao tratamento e até o acompanhamento desses pacientes haja uma profunda articulação de todo esse processo para que se possa observar a melhoria dos desfechos clínicos e a redução nas taxas de mortalidade”, destaca. 

AÇÕES - Com base nessas constatações, o modelo proposto pela ANS contempla ações de promoção, prevenção e realização de busca ativa para que seja feito o diagnóstico precoce; continuidade entre o diagnóstico e o tratamento; informação compartilhada; tratamento mais adequado e em tempo oportuno, com articulação da rede a inserção da figura do navegador ou assistente de cuidado, para garantir que o paciente com suspeita ou diagnóstico de câncer consiga seguir o percurso ideal para o cuidado; pós-tratamento e outros níveis de atenção (cuidados paliativos); e a proposição de novos modelos de remuneração que garantam a sustentabilidade econômico-financeira do setor.

Para aprimorar o rastreamento de cânceres passíveis de detecção precoce, está sendo proposta a realização de estudo que permita às operadoras e prestadores medir o número de exames esperados em sua população, a identificação do caminho a ser percorrido pelo paciente após a suspeita de câncer e a definição de indicadores de monitoramento do acesso, da qualidade e do nível de coordenação do cuidado.

Em relação ao diagnóstico, é necessário que sejam estabelecidas rotinas e requisitos mínimos de qualidade e continuidade do cuidado, de forma a garantir o tratamento apropriado e oportuno, baseados em protocolos terapêuticos e nas melhores práticas disponíveis. 

INCIDÊNCIA - Mais de cinco milhões de novos casos de câncer são diagnosticados nos países da OCDE, a cada ano - cerca de 261 casos por 100.000 pessoas. As neoplasias malignas são responsáveis por mais de um quarto de todos os óbitos. Em termos de potencial de vidas perdidas por ano, é um problema maior que infarto agudo do miocárdio. 

Dados recentes publicados no documento Health at a Glance 2015 mostram que, em muitos países, as taxas de mortalidade por câncer nos homens são pelo menos duas vezes maiores do que entre as mulheres, devido em parte à maior prevalência na população masculina de fatores de risco como fumo e consumo excessivo de álcool associado a diagnóstico tardio.

No Brasil, os principais tipos de neoplasias que ocorrerão no país serão, por ordem de incidência, os de pele não melanoma (para ambos os sexos), o de próstata e o de mama. 

PARCEIROS – O projeto OncoRede tem as seguintes instituições parceiras: AC Camargo Cancer Center; Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR); Fundação do Câncer; Grupo COI/UHG/AMIL; Instituto Oncoguia; Optum; Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC); e Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). 

Premissas do novo modelo

  • Cuidado centralizado no paciente 
  • Informação completa e qualificada
  • Screening e diagnóstico precoce e de qualidade
  • Articulação da rede de cuidado e acompanhamento do paciente 

Principais medidas

  • Laudo integrado de exames que facilite e torne mais efetivo o tratamento;
  • Sistema de registro eletrônico de saúde para que a informação seja compartilhada entre os profissionais que realizam o cuidado e o próprio paciente;
  • Alerta de exames críticos para garantir que os resultados cheguem ao paciente e ao médico;
  • Times multiprofissionais e grupos de decisão para a melhor definição de linhas de cuidado;
  • Articulação da rede de estabelecimentos que irão cuidar do paciente;
  • Assistente do cuidado para acompanhar percurso assistencial e monitorar dificuldades do paciente;
  • Estruturas de cuidado paliativo e tratamento de suporte, em especial para quem não teve resposta aos demais tratamentos;
  • Capacitação e treinamento de profissionais;
  • Rastreamento adequado, de alta sensibilidade, reprodutibilidade e com evidências de que os benefícios potenciais superam os danos físicos e psicológicos;
  • Modelos diferenciados de remuneração de prestadores, com foco na qualidade e nos resultados do paciente, e não no volume de procedimentos.

Confira aqui o livro Projeto Oncorede: A (Re)organização da Rede de Atenção Oncológica na Saúde Suplementar.