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Reputação da informação

Reputação da informação

23/03/2016
Que atire a primeira pedra aquele que nunca recorreu ao Google para buscar correlações entre sintomas e possíveis doenças. Os próprios médicos, antes avessos a esta democracia de informações, hoje reconhecem que o paciente se empoderou com a internet, e chega ao consultório levando uma nova abordagem, deixando de lado o papel de um simples coadjuvante da anamnese. O problema é que a quantidade de informações médicas na rede é quase imensurável, mas a qualidade deixa a desejar. 
 
Foi pensando nisso que um grupo de engenheiros do escritório do Google em Belo Horizonte decidiu desenvolver no Brasil uma ferramenta engenhosa: por meio de uma inédita parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, foram criados uma série de painéis com informações de altíssima qualidade a respeito de centenas de doenças entre as mais buscadas pelos usuários em todo o mundo. A novidade, que foi lançada primeiro nos Estados Unidos, começou a aparecer no topo dos resultados de busca neste mês de março, contendo ilustrações, dados básicos sobre cada doença, sintomas mais comuns e formas de contágio, tudo devidamente revisado por dezenas de médicos.
 
“Tudo começou quando estudávamos buscas sobre saúde, que somam 5% de todas as pesquisas feitas no Google. Percebemos que, frequentemente, o material disponível na internet se focava em quadros mais graves e mais raros, deixando de lado os mais comuns e, portanto, mais prováveis de atender à dúvida do usuário”, explica Frederico Quintão, engenheiro de software do Google no Brasil. “Nossa expectativa é a de que, com esse ‘check-up’, consigamos oferecer a qualquer pesquisa sobre qualquer enfermidade um ponto de partida com a excelência de ninguém menos do que os médicos do Einstein”, completa.
 
No hospital, a proposta foi muito bem recebida. O Einstein já atuava com comprometimento na disseminação de informações ao público em geral e encontrou na ideia uma forma de atingir uma audiência ainda maior. “É um direito do paciente ter conhecimento sobre a sua condição e acessar Informação de qualidade sobre doenças e sintomas. Para o Einstein, é mais uma ferramenta para a promoção de saúde na sociedade”, afirma o presidente do Hospital, Claudio Lottenberg.
 
Entretanto, o médico defende que embora as buscas possam ser esclarecedoras, as respostas jamais serão tão adequadas quanto as fornecidas por um profissional de saúde. "Nada pode substituir o profissional de saúde, mas os médicos também tiveram que se atualizar e agir com mais humildade perante o paciente, que, na maior parte das vezes, já vem para a consulta munido de questões que se levantam na busca online".
Na parceria brasileira, o Google já catalogou 500 doenças e espera chegar aos quase mil que hoje existem nos EUA. “Esses mil painéis correspondem a 95% das buscas sobre saúde feitas no Google todos os dias”, afirma Quintão. Levando em consideração a população de cada estado, o Google fez um ranking que reflete o interesse relativo regional na busca por doenças, tratamentos e medicamentos. 
 
Proporcionalmente, Santa Catarina é o estado que mais procura por sibutramina, seguido de Minas Gerais e São Paulo. E se engana quem pensa que São Paulo é o estado que mais busca por estresse. Liderando, aparece Santa Catarina, seguido de São Paulo e Piauí. Alagoas, Roraima e Mato Grosso, respectivamente, são os estados que mais procuram por zika vírus. O Amapá aparece na liderança pelas buscas por câncer, seguido de Distrito Federal e Roraima. Na procura por câncer de mama, a Bahia aparece na frente, seguida de Maranhão e Sergipe. Nas buscas por paracetamol, o Distrito Federal lidera a lista, que conta ainda com Santa Catarina, em segundo lugar, e Rio Grande do Sul, em terceiro. O Distrito Federal também lidera as procuras por enxaqueca, seguido de São Paulo e Piauí.
 
Cada painel de resultado do Google contém o nome da doença, sintomas comuns, meios de transmissão, ilustração adaptada ao Brasil, links úteis, versão para impressão e opções de compartilhamento online. São centenas de verbetes, entre dengue, AVC, artrite, conjuntivite, Zika vírus, diabetes, tuberculose, hipertensão, doença de Alzheimer, Parkinson, artrose e Síndrome de Guillain-Barré.
 
A tecnologia na saúde
 
Controle de batimentos cardíacos, envio de relatórios de enxaquecas, prontuário eletrônico preenchido por comandos de voz e atendimento médico a distância. Esses são apenas alguns dos exemplos das novas tecnologias implantadas em hospitais, clinicas e laboratórios nos últimos anos. A expansão da tecnologia e do mercado de aplicativos já movimenta 84% do tráfego de dados no ambiente hospitalar, segundo pesquisa de 2015 da Manhattan Researche, realizada em países emergentes.
 
A mesma pesquisa ainda constatou que a venda de dispositivos móveis, tais como smartphones e tablets, cresceram 62% entre 2011 e 2012 e 38% dos profissionais da área da saúde já fazem uso de algum aplicativo em suas rotinas de trabalho.
 
Em 2015 a equipe de tecnologia da informação do Hospital Israelita Albert Einstein apresentou uma das maiores inovações para o ambiente hospitalar: o preenchimento de voz para prontuários eletrônicos. A tecnologia é simples e tem se mostrado eficaz, mas demandou uma série de etapas e testes para a construção do modelo atual utilizado pela equipe de enfermagem do hospital.