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Conahp reúne mais de 4 mil profissionais da saúde

Conahp reúne mais de 4 mil profissionais da saúde

03/12/2019

A sétima edição do Congresso Nacional dos Hospitais Privados – Conahp, aconteceu no Expo Transamérica, em São Paulo, entre os dias 26 e 28 de novembro. O evento reuniu mais de 4 mil profissionais do setor de saúde e teve como tema “Saúde baseada na entrega de valor: o papel do hospital como integrador do sistema”. Houveram diversas palestras com gestores da área de saúde e stands com expositores.

O Vice-presidente do SINDHOSP, Luiz Fernando Ferrari Neto, esteve presente no evento e ressaltou a importância do conteúdo do Congresso. “Com todos os efeitos que aconteceram na saúde, precisamos cada vez mais aumentar o diálogo entre os gestores através do conteúdo. O paciente precisa estar, nessa discussão, no centro de tudo”, analisou o executivo. Também esteve presente no evento o diretor do IEPAS, José Carlos Barbério, que enfatizou a importância da educação e pesquisa para melhorar a qualidade da saúde. “Quem é que não precisa de ensino, pesquisa e educação? Trocar informações sobre como melhorar o sistema de saúde brasileiro, realizar pesquisas que forneçam dados relevantes e capacitar nossos profissionais é o objetivo principal do IEPAS”, destacou Barbério.

Nos 3 dias de palestras, os assuntos que se destacaram foram: ética na saúde, empoderamento do paciente, desospitalização, tecnologia e o sistema de saúde baseado em valor, com o paciente no centro do cuidado de saúde, ganhando um papel de mais destaque.

O evento recebeu a palestra “A experiência do paciente na construção de valor: como engajar, medir e gerar resultado”, que reuniu especialistas para debater o tema. Antes do debate, o sócio da consultoria global Korn Ferry, empresa especializada em implantação de estratégias de alta performance, Cristopher Rowe expôs as dificuldades de transição do atual modelo de gestão de saúde para o modelo baseado em valor. “Antes de se começar qualquer jornada de mudança é preciso responder algumas perguntas como: o que você pode fazer como organização? Qual impacto é desejado? Quais suas perspectivas? Porque, quando pensamos em pacientes, as repostas variam de um indivíduo para outro, ou seja, não se deve pensar no valor como estratégia comercial, mas sim como a atividade chave para entrega ao paciente”, disse Rowe.

A diretora corporativa de qualidade e segurança do paciente do Hospital Santa Catarina, Camila Sardenberg, compartilhou da opinião do especialista. “Os hospitais estão muito passivos, esperando o paciente chegar, quando na realidade deveríamos nos integrar a cadeia de serviços, pensando não só no episódio de cuidado, mas no que acontece com o paciente antes e depois desse atendimento. Pacientes mais graves ainda vão chegar de ambulância e helicóptero nos hospitais, mas a ideia é evitar, com cuidado primário, para vivermos a saúde e não a doença”, explica.

Para Rowe, as decisões chave devem focar no paciente, mas é impossível fazer isso sem engajar a equipe médica e todos os colaboradores de um hospital. “Não só isso, mas os pacientes devem compartilhar suas experiências de maneira sincera com seus médicos e esses relatos devem chegar até a direção da instituição, que mais do que qualquer indivíduo nesse processo deve estar andando de maneira muito próxima de tudo”, finalizou.

Estimativa de custos na saúde suplementar

O economista especializado em saúde do The World Bank, André Medici, afirmou em sua palestra que o gasto mundial com saúde deve crescer 5,4% ao ano até 2022. Somente na América Latina, nos próximos 3 anos, gasto com saúde deve saltar para US$ 417 bilhões. Para ele, o motivo disso são vários fatores, entre eles a valorização do dólar e do euro na economia global, o envelhecimento da população, o investimento em novos tratamentos e tecnologia e o aumento do custo de mão de obra. “Focar no resultado do paciente é a meta daqui para frente. Temos que ter um ciclo contínuo de melhorias, buscar dados sobre resultados, avaliar variações de custo, identificar melhores estratégias e consolidar inovações. Mas essa é uma questão que só começa no Brasil”, afirma Médici. Para o economista, os maiores desafios são básicos. “A ausência de uma base de dados e a padronização dessa informação é o primeiro deles. Não há no Brasil uma interoperabilidade dos sistemas. Além disso, há a incerteza do cenário econômico mundial, e principalmente brasileiro, somada ao custo dos tratamentos que só aumentam. “Os primeiros passos incluem o investimento em tecnologia, mas também recrutar, desenvolver e reter novos talentos nas organizações. Mas não é só treinamento, é necessária uma mudança de cultura”. De acordo com Médici, a saúde baseada em valor exige novos conceitos e reinvenção de processos e formas de mensurar os custos. Trabalhar com prevenção é um desses pontos, afinal, tratar episódios é mais caro do que prevenir e evitar que o paciente chegue ao hospital.

No último dia do evento, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi enfático em alertar que “não dá para o sistema atender tudo em todos os municípios”. Mandetta fez uma análise histórica do sistema de saúde brasileiro. Segundo ministro, o SUS, que é o maior sistema de saúde do mundo, está diante de um desafio: “o que temos de possibilidade versus a inventividade e trazer isso para dar escala. A escala é a filha querida do sistema de saúde”, afirmou. O ministro ressaltou ainda que ao promulgar a Constituição de 1988, o Brasil fez uma decisão como povo. “Rompemos com quase 500 anos de modelo de sistema de saúde e ali nasceu o maior desafio. Ali dissemos para cada um de nós que vamos dar acesso equânime para todos. Estamos todos no mesmo barco que navega linhas muitas vezes confusas, em que escreveram que nosso sistema deve ser primeiro público, filantrópico e, por último, privado. Isso fez com que o privado se distanciasse”, afirmou.

Para o ministro da Saúde, o debate deve acontecer no Congresso Nacional: “como o sistema pode coexistir e se autorregular a ponto de termos qualidade, acesso e escala?”, questionou. Mandetta elencou uma série de pontos que o país precisa resolver. “Como fazer os municípios entenderem que não dá pra fazer tudo em cada município?” Ele explicou que alguns fundamentos passaram a ser questionados. “Tudo que vai ter de bom em tecnologia, o que vamos disponibilizar para as pessoas? Nada disso será possível se não partirmos da atenção primária. 2019 foi o ano da atenção primária no Ministério da Saúde”, revelou.