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Inovação ao alcance das mãos

Inovação ao alcance das mãos

22/08/2019

O mundo anda veloz e na atual era das respostas rápidas, das conexões instantâneas e do acesso fácil a qualquer tipo de informação, toda a cadeia produtiva vem passando por mudanças. O setor da saúde, fundamental na economia brasileira, é um dos mais impactados pelas inovações que trazem conforto aos pacientes, agilidade no atendimento médico e melhora da performance da gestão dos estabelecimentos de saúde. Esses e outros temas foram debatidos com especialistas do setor durante o evento “Transformando a inovação em prática”, promovido pela FEHOESP no Dia do Hospital, 2 de julho, com patrocínio da Captalys.

De acordo com Carlos Alberto Ballarati, diretor executivo da I9med, todas essas mudanças vêm provocando uma verdadeira corrida no setor da saúde no Brasil porque várias tendências estão surgindo e se consolidando simultaneamente de tal maneira que estão revolucionando todo o segmento. Exemplos são o surgimento de grandes redes de hospitais e de laboratórios; o aumento da demanda de saúde, enquanto há déficit de leitos; crescimento de custos por um lado, mas com ganhos para a segurança do paciente de outro; sofisticação da tecnologia; envelhecimento da população; chegada de investidores internacionais; maior foco em atendimento primário, em informações genéticas e na longevidade das pessoas; uso crescente da telemedicina; inteligência artificial associada à nanotecnologia para possibilitar testes e exames mais rápidos, completos e acessíveis, entre outras. “A inovação vem ocorrendo cada vez mais rápido. Para efeito de comparação entre diferentes tecnologias ao longo da história humana, as inovações mais recentes atingiram um volume maior de pessoas num curto período de tempo: enquanto os aviões de carreira levaram 60 anos para chegar a um público de 50 milhões de pessoas e o celular demorou 10 anos para atingir esse total, o Ichat (suporte online da Apple) demorou um ano, e o jogo Pokemón Go! levou apenas 19 dias”, explica Ballarati.

Aliada importante da qualidade no atendimento, a tecnologia impacta na humanização da medicina, na individualização cada vez maior dos tratamentos e medicamentos; na busca de mais eficiência na gestão e nos modelos de remuneração dos prestadores de serviços. Para Luiz Fernando Ferrari Neto, vice-presidente do SINDHOSP e diretor da FEHOESP, os investimentos em humanização que hoje em dia são vistos como inovadores, na verdade são uma demanda do setor da saúde que já existe há muito tempo e que acabaram ficando em segundo plano diante de tanta inovação tecnológica. “Quando me formei em Medicina na Santa Casa de São Paulo, um dos meus professores, que já tinha 50 anos de formado, dizia que não existia doença, mas, sim, doente. Ele enfatizava que a prática correta da medicina deveria ser a de conversar com o paciente, obter todo seu histórico e conhecer os sintomas para realmente elevar o cuidado com a pessoa. O fato é que o sistema cresceu, mudou muito e tornou-se hospitalocêntrico”, relata ele.

De fato, esse ainda é o retrato atual, mas, de acordo com Carlos Ballarati, grandes mudanças estão ocorrendo. “Os hospitais cada vez mais deixarão de tratar doenças para preveni-las, usando todas as inovações possíveis. Os planos de saúde também estão seguindo essa linha de cuidar cada vez menos da doença e mais da saúde das pessoas que, por sua vez, estão ficando mais preocupadas em cuidar da própria qualidade de vida, que ainda é deixada nas mãos dos médicos e dos convênios”, ressalta o executivo da I9med. No entanto, há um entrave em toda essa avalanche tecnológica que precisa ser superado. Trata-se da quantidade incontável de informações produzidas que não são devidamente usadas no setor. “A tecnologia e todas as inovações geram um volume de dados imenso e isso não é usado corretamente na saúde. Ao mesmo tempo, a tecnologia na saúde eleva os custos e esse investimento precisa ser colocado em prática para gerar benefícios para as empresas e para os pacientes”, destaca.
Diversas são as soluções disponíveis no mercado para fazer uso correto dos dados e recursos disponíveis: da gestão mais eficiente dos gastos, passando por soluções técnicas para obter economia real de energia e de dinheiro, assim como a integração de dados que possibilitem atendimento mais ágil para casos graves até a sistematização de processos internos para a melhora do desempenho financeiro e qualitativo. Conheça, a seguir, algumas delas:  

Gestão do fluxo de caixa 

Para tirar o máximo de benefícios dos investimentos em inovação, as empresas precisam, paralelamente, atuar para fazer uma boa gestão do fluxo de caixa. De acordo com Lucas Castilho Muñoz, gerente de Portfólio da Captalys, gestora de crédito com foco no setor da saúde, todas as empresas, sejam de que tamanho forem, podem ter uma vida financeira mais sustentável. É preciso, segundo ele, entender o contexto econômico para que a tomada de decisões seja a mais assertiva possível. “No cenário externo, o aumento da taxa de juros americana está prestes a acontecer, porque os EUA estão crescendo internamente. Isso cria uma pressão interna por aumento de salários dos trabalhadores locais, por causa do baixo nível de desemprego que aquele país registra e porque o governo Trump está barrando a entrada de imigrantes, além de estar em uma ‘guerra’ de preços com a China”, explica ele. O “fator EUA” mantém a economia externa estabilizada e é bom para o Brasil. Já o cenário interno brasileiro, de acordo com o economista, sinaliza uma expectativa positiva do mercado com as reformas. “Enquanto a Previdenciária está em tramitação e negociação, gerando a perspectiva de ajustes das contas públicas, a reforma tributária é um pouco mais difícil, mas também é importantíssima para o país”, explica ele. 

 A expectativa dos empresários tem um papel forte no cenário econômico, já que a economia depende, também, do nível de confiança dos investidores e empresários. “Quando a economia vive bons períodos, a tendência é que todos os seus atores com poder de decisão pensem que a economia deve ficar ainda melhor. Assim, o desempenho fica acima do realizado. Já quando a economia está ruim, o realizado costuma ficar abaixo”, explica Muñoz. Independentemente desse cenário, o gerente da Captalys destaca que o Brasil está conseguindo manter um nível razoável de taxa de juros, com o Banco Central anunciando que o índice deve fechar em 5,5% até o final de 2019. “Com o cenário externo de valorização do dólar e o cenário interno de redução da taxa de juros, entendemos que o atual governo sinaliza com a vontade de estimular o nível de crédito na economia para que o país volte a crescer”, detalha.

Os bancos ainda estão cautelosos para fornecer crédito às empresas, o que traz forte impacto para toda a cadeia produtiva, uma vez que cinco grandes instituições financeiras são detentoras de 90% das iniciativas de crédito no país. “Na Captalys, atuamos voltados para o crédito, trazendo o mercado de capitais para perto dos empresários e criando produtos próprios para o setor da saúde. Isso é possível porque compilamos dados de operadoras e demais bancos de dados do SUS, para entender como gerir melhor e facilitar os pagamentos dos recebíveis do sistema público. É uma estrutura elaborada com análises específicas para a saúde, já que o setor tem muitas especificidades e regras a cumprir”, afirma ele. Entre as soluções oferecidas estão: antecipação de receitas, em que o faturamento fica disponível em poucos dias; capital de giro, um crédito de curto prazo para o negócio; compra de equipamentos para garantir negociações em melhores condições com os fornecedores e recursos para reformas e expansão das instalações da empresa, em que é possível investir em infraestrutura para oferecer o melhor atendimento aos clientes. 

Gestão de profissionais de saúde em campo

Quando o assunto é solução em saúde, o atendimento de home care ganha destaque, porque esse é um dos serviços que mais cresce no segmento. A necessidade de os pacientes terem um tratamento mais humanizado e mudanças epidemiológicas são alguns dos motivos para isso. Por isso, fazer a gestão adequada dos variados profissionais envolvidos com esse segmento é fundamental. De acordo com Pedro Alvarez, chefe comercial da Z Life Care, empresa que faz a gestão e auditoria de serviços de atendimentos domiciliares, a agilidade trazida por um produto específico para esse serviço é percebida em ganho de qualidade de atendimento e gestão dos recursos. “Nossa solução ZLifeCare tem 16 milhões de usuários e é traduzida para 16 idiomas e, além de gastar pouca memória do celular e consumir menos bateria, é composta por duas interfaces.

A primeira é o ‘Painel do Gestor’, que mostra informações dos atendimentos, localização dos profissionais entre outros dados para melhorar a performance dos agendamentos e planejamento das atividades, pois é possível ver indicadores para otimizar todo o processo”, explica ele. A outra interface, de acordo com Alvarez, é o aplicativo móvel, que informa tudo o que o profissional precisa para prestar o melhor atendimento ao paciente. “O gestor acompanha a evolução do paciente de forma integrada e não apenas em fichas ou por Whatsapp, como é feito hoje. A nossa plataforma permite ir adiante. Reduzimos em 90% o tempo para aquisição de informações que atualmente estão espalhadas", enfatiza. Com a massificação do big data, diz o executivo, haverá uma avalanche ainda maior de dados. “Todas essas informações precisarão ser coletadas, analisadas e trabalhadas corretamente para permitir que esse universo de dados possa ser usado em prol de um processo de cuidados eficaz.”  

Tecnologia para economia de energia
Assim como gerir as operações e os deslocamentos de profissionais, também faz diferença nos custos de qualquer empresa buscar alternativas para reduzir o consumo de energia elétrica – o segundo ou terceiro maior gasto dos estabelecimentos de saúde, de acordo com Fernando Saldanha, gerente de experiências da FibexAV. “Cada organização tem uma estrutura própria e precisa de projetos específicos, mas, em geral, é possível economizar fazendo a programação do desligamento da iluminação de salas não usadas em determinadas horas do dia; adotando persianas customizadas de acordo com a incidência de sol no local e com sensores que evitam desperdícios e desligando as luzes de locais sem movimentação”, explica ele. O ar-condicionado é considerado um dos grandes responsáveis pelo alto consumo de energia. De acordo com Saldanha, é possível também reduzir custos neste caso específico. “Soluções de automação costumam ajudar muito a controlar todo o desempenho do aparelho, além de trazer um conforto maior, já que dá uma sensação de maior autonomia e conforto para o paciente enquanto está internado, melhorando, inclusive, sua recuperação”, acredita ele.

Uma solução específica para ar-condicionado, de acordo com Armando Giovanetti, da CTech Brasil, é capaz de reduzir o gasto com energia sem comprometer o desempenho do aparelho. “O aplicativo Eco Nomiza modula o aquecimento do compressor do ar-condicionado de forma mais eficiente, e mantém a temperatura de conforto. Em uma situação padrão, quando o dispositivo não está instalado, ocorrem 12 ciclos de carga elétrica por hora. Já com o uso do dispositivo são gerados sete ciclos, isto é, há menos exigência de uso de energia. Consequentemente, o gasto é menor”, explica. De acordo com Giovanetti, o coletor de calor solar usa a própria temperatura para manter o nível do compressor e reduz em até 74% o consumo. “O coletor é colocado na saída quente por meio de programação e informa para o compressor que não precisa aquecer o gás, porque este já chega numa temperatura boa, aumentando a velocidade do gás e antecipando a mudança de estágio de gasoso para líquido”, destaca ele. Com isso, o sistema do ar-condicionado ganha mais eficiência. Para o especialista, é urgente economizar energia elétrica porque se o Brasil crescer mais, economicamente falando, não terá energia para todo mundo e pode vir a sofrer um novo apagão elétrico. Outras soluções para economia de energia nos estabelecimentos de saúde são: a conscientização dos colaboradores para apagar as luzes quando não estão sendo usadas; controle integrado de LED, que gera de 40% a 50% de redução de gastos e, finalmente, equipamentos como dimmers e sensores. “Além disso, um ambiente mais sustentável usa a luz natural do sol que, integrada a ambientes internos, inclusive berçários e salas de recuperação, traz mais motivação e alegria para os pacientes”, ensina Fernando Saldanha, da FibexAV. 

Os acidentes e eventos inesperados, além de devastar a vida das vítimas e de seus familiares, têm forte impacto nos custos da saúde. As preocupações continuam se o atendimento não for feito de maneira correta e no tempo adequado, já que eventuais complicações saem ainda mais caras para todos os envolvidos. “Uma complicação quadriplica os custos por mau atendimento ou tempo inadequado de atendimento ou, ainda, feito em local sem recursos necessários, porque o tempo é crucial para salvar vidas. Se o atendimento for feito no local certo, reduz a mortalidade em um quarto”, explica Jamil Ribeiro Cade, fundador e CEO da W3.Care, empresa criadora do Teletrauma, plataforma criada para atendimento do politrauma que pode ser acessada por hospitais, clínicas, centros de emergência, ambulâncias e todo o corpo médico. Centralizar os dados e direcionar os profissionais de atendimento para os estabelecimentos mais aptos a atender cada caso é a solução proposta pelo Teletrauma. Baseado em sete tipos de de traumas, geramos um algoritmo para tomada de decisões nas ambulâncias, assim o paciente pode ser encaminhado para o centro hospitalar adequado”, explica. Todos os recursos são integrados e, por meio de tecnologia GPS, os colaboradores ficam sabendo para qual hospital devem ir; as equipes
recebem dados sobre as condições clínicas do paciente; o prontuário fica disponível com dados em tempo real e informações do convênio. Assim, a plataforma vai se ajustando ao cenário que se apresenta. “O programa permite criar estatísticas de quantos pacientes são atendidos em determinados períodos; qual o tempo médio de atendimento e deslocamento; quais os desfechos, entre outros. Com isso reduzimos custos hospitalares e deslocamentos desnecessários. O aplicativo permite ao corpo médico saber tudo o que acontece em tempo real e até criar um mapa de calor com os traumas e ocorrências mais frequentes”, finaliza. 


 

Eficiência para a tomada de decisões 
A tecnologia aplicada aos processos de faturamento também traz resultados positivos e facilita planos de ação, mas nem sempre isso é feito nas empresas. É o que explica Fábio Monsanto, responsável pelas áreas comercial e de negócios da Tradimus. A empresa, parceira da FEHOESP, criou soluções que ajudam a remover gargalos nas relações comerciais entre prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde. “Com dados baseados em 127 operadoras e 15 milhões de contas, foram gerados 250 mil arquivos e eles demonstraram que 45% das operadoras fazem demonstrativos de custos em PDF. Fazemos a estratificação e análise desses dados e, com um banco de informações, conseguimos ter um tempo de retorno com maior eficiência para as empresas”, destaca ele. Os associados e contribuintes da Federação têm acesso ao serviço que oferece 100% de automação da baixa e estratificação dos demonstrativos, até 98% do faturamento conciliado, análise mais rápida de glosas, redução de até dez vezes do tempo médio de recurso e melhoria dos indicadores financeiros das empresas. Segundo Monsanto, com as informações centralizadas em banco de dados, há mais retorno e eficiência operacional. “A vantagem é que é possível ver o montante, o prazo, o que é glosado e tudo isso gera controles e facilidade de montar planos de ação”, destaca. Solução de suporte e gestão para vítimas de traumas , geramos um algoritmo para tomada de decisões nas ambulâncias, assim o paciente pode ser encaminhado para o centro hospitalar adequado”, explica. Todos os recursos são integrados e, por meio de tecnologia GPS, os colaboradores ficam sabendo para qual hospital devem ir; as equipes recebem dados sobre as condições clínicas do paciente; o prontuário fica disponível com dados em tempo real e informações do convênio. Assim, a plataforma vai se ajustando ao cenário que se apresenta. “O programa permite criar estatísticas de quantos pacientes são atendidos em determinados períodos; qual o tempo médio de atendimento e deslocamento; quais os desfechos, entre outros. Com isso reduzimos custos hospitalares e deslocamentos desnecessários. O aplicativo permite ao corpo médico saber tudo o que acontece em tempo real e até criar um mapa de calor com os traumas e ocorrências mais frequentes”, finaliza. 

Gestão do Ciclo da Receita na Saúde 
Todos os passos necessários para a gestão do ciclo da receita na saúde podem ser centralizados com o intuito de melhorar a eficiência e diminuir perdas financeiras. De acordo com Hélio Franqui, representante da Avatar Soluções em Saúde, o trabalho começa com a verificação de rotinas diárias, evitando acúmulo nas entregas do faturamento e a realização de auditoria nas rotinas de gestão, assim como acompanhamento dos resultados e da produtividade dos trabalhadores. Todos os detalhes a serem considerados podem levar tempo e exigir esforços iniciais de diferentes equipes na organização, mas fazer alterações nos métodos de trabalho, quando elas se mostram necessárias, é o que realmente traz resultados de médio e longo prazo nas contas e no desempenho da empresa. “Na Avatar fazemos esse diagnóstico detalhado e entregamos soluções, como alertas para a alta direção sobre qualquer tipo de inconsistência ou incongruência no sistema de pagamento e recebimento, conferência e auditoria de contas e verificação de preços em uma linha histórica. Tudo isso é necessário porque auditar contas no modelo de pagamento ainda mais usado, o fee for service, é extremamente complicado, pois não é fácil conferir e listar todos os itens usados nos procedimentos”, explica ele. Os resultados desses esforços aparecem de forma clara para os empresários, garante ele. “Os principais ganhos são a diminuição de perdas, aumento de faturamento e atualização de preços que, infelizmente, costumam ficar defasados por muito tempo; certeza de cobrar tudo o que é realmente devido; diminuição de glosas, diminuição do retrabalho, entre outros”, enumera.
 

Por Eleni Trindade - publicada originalmente na Revista FEHOESP 360 

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