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Congressos de gestão reúnem setor para debater melhorias num cenário de recessão

Congressos de gestão reúnem setor para debater melhorias num cenário de recessão

29/05/2015
O 10º Congresso Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços de Saúde e o 9º Congresso Brasileiro de Gestão em Laboratórios Clínicos, eventos oficiais do Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde (IEPAS), reuniram cerca de 300 pessoas, no dia 20 de maio, durante a Feira Hospitalar 2015. Os eventos são uma realização do SINDHOSP, da Confederação Nacional de Saúde (CNS), da Federação Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (FENAESS) e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínicas e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – esta última para o Congresso de Laboratórios.
 
Na abertura do Congresso de Clínicas, o vice-presidente do SINDHOSP e diretor da FEHOESP, Luiz Fernando Ferrari Neto, deu as boas-vindas aos participantes em nome José Carlos Barbério (presidente do IEPAS) e dos demais realizadores, destacando o cenário atual de dificuldades. “No Brasil, se faz muita coisa por decreto, e sentimos falta de uma política de governo para a saúde. É um absurdo, por exemplo, termos 82% de partos cesárea. Não tem como defender isso”, afirmou.
 
O primeiro módulo do evento tratou do tema “Modelos Societários, Lucro Presumido, Lucro Real, Super Simples e eSocial – Qual o melhor?”.
 
O consultor Marcos Martins iniciou sua palestra falando sobre eSocial. “Este não é um modelo tributário. Na verdade é muito mais voltado a uma forma de informar ao governo os nossos números, especialmente na questão de recursos humanos. E vem substituir uma porção de outros envios eletrônicos de informações”, explicou.
 
Segundo o consultor, o eSocial é um produto do Serviço Público de Escrituração Digital (SPED), que substituirá e simplificará uma série de obrigações como a RAIS, GFIP, CAGED e MANAD. Está em sua primeira etapa, baseada em testes e um período de desenvolvimento, e ainda não é obrigatório.
 
Martins falou ainda sobre modelos societários e lucros presumido e real. “Algumas empresas têm dificuldade de apurar seu lucro real, mas deve-se levar em consideração o que efetivamente se recebe, e não o que é devido”, exemplificou, fazendo referência às clínicas de saúde que convivem com as glosas dos planos de saúde.
 
A gestão financeira e de custos das empresas de saúde foi o tema de um dos painéis da programação. O palestrante Luiz Fernando Forni, diretor do Grupo Santa Celina (SP), falou dos aspectos dessa gestão, destacando a importância do fluxo de caixa para as empresas. “O fluxo de caixa é muito importante, pois é o centro dos resultados para a tomada de decisões financeiras”, afirmou.
 
Forni lembrou da importância de se ter profissionais especializados em gestão financeira, pois eles são capazes de “fazer a análise financeira dos registros e demonstrativos, a elaboração do fluxo de caixa e a análise econômico-financeira das alternativas de investimentos”, por exemplo.
 
Lembrou ainda que todos os colaboradores da organização devem estar envolvidos com o planejamento das finanças. “Todos têm de estar comprometidos com o planejamento financeiro na empresa, pois é uma engrenagem só. E tudo isso vai refletir no caixa”.
 
Laboratórios
 
Na abertura do 9º Congresso Brasileiro de Gestão em Laboratórios Clínicos, o vice-presidente do SINDHOSP, Luiz Fernando Ferrai Neto,  destacou a importância do debate para o setor laboratorial. “Tratar desses temas, quando estamos vivendo um cenário difícil, com a economia nacional fragilizada e em crise, mostra a preocupação do setor em buscar por soluções para o que vem por aí. A realidade difícil que está por traz do cotidiano dos laboratórios faz com que nos esforcemos ainda mais para o enfrentamento das situações e adaptações ao mercado.”
 
Também participaram da abertura  do congresso a presidente da SBPC/ML, Paula Fernandes Távora; o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), Jairo Epaminondas Breder Rocha; e o diretor da Associação Brasileira de Biomedicina (ABBM), Bruno Oliva.
 
Durante o primeiro painel,  Paula Fernandes Távora declarou que apesar de ter participado dos debates que culminaram na normatização da lei 13.003, sentiu os prestadores, mais uma vez, desprivilegiados. “Sabemos que a nova lei começa a corrigir algo que vinha errado desde o passado e que isso não se resolve da noite para o dia, mas nos sentimos desprivilegiados em relação às operadoras principalmente quando se estabelece a qualificação como regra para melhor remuneração.”
 
A presidente interina da ANS, Martha Regina de Oliveira, afirmou que o reajuste não pode ser um refinanciamento, e que a ideia da norma implementada juntamente com a lei 13.003 é para dar início ao processo de construção da informação. “Pode não ser o ideal, mas agora começa a existir algo que antes não era lei e que não estava regrado. Estamos organizando o sistema para mudar a lógica do setor para que ele não entre em colapso."
 
Martha anunciou para 15 de junho a criação de uma comissão para o acompanhamento da lei 13.003. Nesta data, segundo a presidente, os grupos de trabalho que debateram a normatização da lei voltarão a se reunir para avaliar e discutir os avanços conquistados com a nova medida e o que ainda precisa ser ajustado.
 
Encerrando o Congresso de Laboratórios Clínicos, Guilherme Hummel, diretor da eHealth Summit falou  sobre as tecnologias de informação e comunicação que estão transformando a cadeia da saúde (eHealth) e o seu impacto no setor de medicina laboratorial.
 
Hummel destacou as tecnologias avançam continuamente e que o setor da saúde está sempre um passo atrás. “O mundo tem necessidade veloz de transformação e não se pode ficar parado”, alertou.
 
Mas ele ressaltou que antes de avançar na tecnologia é preciso pôr ordem na casa e promover uma gestão eficaz de custos. “Gestão empresarial é como uma escada, em que se deve subir um degrau por vez. O gerenciamento de custos também é a capacidade do laboratório de ser rápido nas soluções dos problemas. Sem gestão de custo não se sobrevive no mercado.”
 
Hummel também apresentou os desafios do setor do laboratorial. Entre eles, destacou a falta de profissionais de patologia, a remuneração inadequada aos investimentos necessários, a descentralização dos processos, entres outros.