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"Gosto de fazer a minha parte para uma sociedade melhor"

28/05/2020

Francisco Roberto Balestrin de Andrade, mais conhecido no setor da saúde como Francisco Balestrin, assume no próximo dia 1º de junho a presidência do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, o SindHosp, para o triênio 2020-2023. O desafio de liderar o maior sindicato patronal da área da saúde do país e da América Latina é uma grande motivação para esse médico, que é reconhecidamente um dos grandes líderes do setor no Brasil.

Sua trajetória está recheada de experiências bem sucedidas. Francisco Balestrin foi um dos fundadores da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), entidade que presidiu de 2012 a 2018. Em 2017 assumiu por dois anos a presidência da International Hospital Federation (IHF). Idealizou e atualmente preside o Conselho de Administração do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) e ainda é diretor do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (COMSAÚDE), da FIESP, e membro do Conselho de Administração do Instituto Coalizão Saúde (ICOS). Conheça, a seguir, um pouco mais da história, formação e pensamentos do novo presidente do SindHosp.

 

SindHosp – Você atuou como gestor em diversas entidades da saúde. Conte um pouco da sua experiência profissional e como o médico Francisco Balestrin se transformou em um líder setorial?

Francisco Balestrin – Confesso que também não sei (risos). Às vezes acontecem coisas, você vai vivendo e, quando vê, chegou aonde não imaginava. Me formei em Medicina em 1981 e pretendia trabalhar na área de Terapia Intensiva. Ainda durante o curso comecei a participar de representatividades institucionais e ações políticas dentro da faculdade, atividades que para mim vinham com um misto de espanto e encantamento. A virada veio com a minha entrada no Projeto Rondon. Fui para uma comunidade muito pobre no Ceará e percebi que o que tinha aprendido na faculdade não fazia muita diferença na vida e na saúde das pessoas que viviam lá, pois me deparava com verminoses, doenças simples e uma desorganização do sistema de saúde. Senti que precisava de mais ferramentas para ajudar as pessoas, precisava de algo que desse mais sentido à minha formação. Já de volta a São Paulo e procurando esse “norte”, encontrei, dentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), uma residência interessante que trabalhava ferramentas de gestão, que foi Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde, projeto conjunto do Hospital das Clínicas (HC) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Concomitantemente, fiz o curso do Prohasa de Gestão em Saúde, também na FGV, outro de médico sanitarista na Faculdade de Saúde Pública de São Paulo e um MBA em Planos de Saúde. Trabalhei como assistente técnico na superintendência do Hospital das Clínicas. No dia a dia com os professores da Faculdade de Medicina da USP e os gestores do Hospital, aprendi sobre tecnologias e aspectos gerenciais e estratégicos da saúde. Anos depois fui convidado para conduzir um projeto em Salvador, a montagem de um hospital. Fiquei como CEO nessa instituição por seis anos, época em que desenvolvi conhecimentos gerais sobre o funcionamento de um grande hospital privado. O Hospital Aliança foi um sucesso. No meio da década de 90, voltei para São Paulo para trabalhar como diretor de projetos em saúde em uma grande empresa de empreendimentos. Eles tinham um projeto de construção de cinco hospitais privados no Brasil, por isso, tive a oportunidade de viajar todo país, conhecer realidades distintas e muita gente. Infelizmente o projeto não foi adiante devido ao cenário político-econômico da época. Posteriormente, num projeto com outros empreendedores, surgiu o Hospital Vita, em Curitiba, e o Vita Batel, ambos no Paraná, dos quais ainda sou co-proprietário. Em São Paulo tenho a Vital, empresa de consultoria e gestão na área da saúde.

 

SindHosp – Foi nessa época que surgiu a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que ajudou a fundar? Fale um pouco sobre essa experiência.

Francisco Balestrin – Exatamente. Com o advento da lei 9656, em 1998, que regulamenta os planos e seguros de saúde, alguns gestores de hospitais se reuniram para uma conversa, para entender e tentar estruturar melhor o novo momento que estávamos vivendo. Foi assim que surgiu a Associação Nacional de Hospitais Privados, a Anahp. Fui, portanto, um dos fundadores e exerci, durante vários anos, o cargo de vice-presidente. Montamos grupos de trabalho em áreas importantes dentro da Associação e foi nessa época que nasceu o SINHA (Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp), que deu origem ao Observatório Anahp, e incentivamos a qualidade dentro dos hospitais. Investir e buscar continuamente a qualidade assistencial foi - e ainda é - critério de elegibilidade para participar da Anahp. Em 2008, colocamos em pauta a governança corporativa na Associação. Fizemos um projeto e transformamos a diretoria em um Conselho, como em uma empresa, e passamos a ter uma administração profissional. A Associação passou a atuar com mais precisão: com representatividade, desenho estratégico, relacionamento, preocupação com a sustentabilidade, com a formação de recursos humanos e uma boa comunicação. Independentemente das atividades associativas, geramos conteúdos através de núcleos de estudos. O Conahp – Congresso Nacional de Hospitais Privados - nasceu dessas iniciativas. Fui presidente da Anahp entre 2012 e 2018, sempre levando em consideração que representatividade é um pilar fundamental.

 

SindHosp – Que experiências como líder setorial pretende trazer e implementar no SindHosp?

Francisco Balestrin – Minha experiência é com o associativismo, mas creio que o sindicalismo vive um momento de transformação, após a mudança da legislação trabalhista, em 2017. Vamos nos reinventar e tentar ser um exemplo de sindicalismo associativo para todo o país. E quando falo isso, falo em fazermos mais. Desempenhar as atividades sindicais como o SindHosp sempre fez e trazer novas iniciativas, hoje desenvolvidas pelas associações.

 

SindHosp – Quais os pilares de uma boa representatividade?

Francisco Balestrin – O primeiro é a produção de conteúdo próprio. Uma entidade representativa precisa ser geradora de conteúdo técnico e informativo. Precisa saber o que acontece no mercado e mensurar isso. Segundo, ela tem que fazer advocacy, ou seja, ter relacionamento diário com outras organizações representativas da sociedade civil, bem como com o Legislativo, Executivo, Judiciário e demais órgãos públicos. Sua atuação precisa ser marcante. O terceiro pilar é ter um Congresso próprio, que seja referência e ponto de encontro e atualização importante para o segmento. Por fim, uma publicação que seja importante para o mercado, algo que todo mundo queira e espere. Em linhas gerais esse é o desenho. Eu fiz e estou fazendo isso no CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde), que hoje já tem 750 associados e dez capítulos em todas as regiões brasileiras.

 

SindHosp – Você fala sobre isso com entusiasmo, diria até que com muita paixão. O que as empresas associadas ou representadas pelo SindHosp podem esperar da sua gestão?

Francisco Balestrin – Vamos implementar, junto com a diretoria eleita, as mudanças necessárias com planejamento, no tempo adequado, buscando a adesão dos estabelecimentos de saúde e criando um sentimento de pertencimento. Como já comentamos, faremos isso dentro de uma visão contemporânea de sindicalismo associativo. Com produção de conteúdos técnicos e advocacy pretendemos implementar uma nova representatividade, queremos nos tornar essenciais para os nossos associados, que os empresários queiram estar próximos do SindHosp. Percebemos que chegamos até aqui com sucesso, mas temos oportunidade de fazer mais pelo nosso setor. Teremos mais serviços, produtos e oportunidades para oferecer, pois vamos atuar com o mundo sindical e o associativo ao mesmo tempo e, dessa forma, dar aos empresários e gestores maior representatividade e um real empoderamento. Queremos que o SindHosp seja uma entidade ainda mais importante para o mercado, que seja referência para a sociedade paulista, brasileira e para as autoridades do setor.

 

SindHosp – O mundo vive hoje uma pandemia. Você acredita que o Brasil está enfrentando essa crise de forma satisfatória?

Francisco Balestrin - A melhor metodologia até o momento é a do Estado de São Paulo, que está lidando melhor com a pandemia. Vejo uma crise sanitária enorme, que se soma a uma crise econômica e social. Há quem ache que está tudo bem, que essa crise não é tão séria, mas eu não posso concordar com essa afirmação. Quem tem informação e analisa a situação sabe que as coisas não estão boas. É uma visão simplista achar que há contradição entre economia e saúde. Não é possível ter uma economia pujante sem uma sociedade sadia.

 

SindHosp - Quais os temas mais importantes que o SindHosp pode e precisa trabalhar hoje em prol do setor?

Francisco Balestrin - Acredito que é a sustentabilidade econômico-financeira. Na verdade, seria um conjunto de temas que podem trazer atualização para o setor da saúde, como por exemplo, novos modelos de remuneração, governança clínica, gestão do corpo clínico e qualidade assistencial. Em outras palavras, um mix de temas macro-estratégicos e, também, soluções para o dia a dia, como gestão de materiais e soluções financeiras.

 

SindHosp – Para finalizar, quais suas aspirações hoje como cidadão e líder setorial?

Francisco Balestrin - Acredito que só quando aceitamos desafios que tenham propósito conseguimos nos superar. Inspirar e trabalhar com pessoas engajadas em projetos transformadores é muito gratificante. Sinto-me motivado quando tenho a oportunidade de deixar um legado. Faço isso para que possamos juntos construir novos caminhos e não por aspiração pessoal. Trabalhar em equipe e produzir para o coletivo fazem parte do meu DNA. Gosto de fazer a minha parte para uma sociedade melhor.