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2015 - O futuro da saúde suplementar

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Não é de hoje que se discute a necessidade da revisão de novos modelos assistenciais na saúde. Com o aumento da demanda por procedimentos e o baixo investimento, o setor vive a beira de uma catástrofe. A afirmação foi feita pelo presidente do SINDHOSP e FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr, durante o 8º Seminário SINDHOSP/Fleury, realizado em 18 de junho de 2015, em São Paulo. "Vivemos um modelo que beira o colapso e em momento algum vemos ações efetivas com discussões objetivas para mudar. Chega desta briga de gato e rato entre operadoras e prestadores que só prejudica a população. Já é hora de discutir os novos modelos para a saúde suplementar", disse na abertura. 

Carlos Alberto Iwata Marinelli, então presidente do Grupo Fleury/SP, destacou a importância do debate, que em 2015 teve como tema “Novos modelos para a saúde suplementar”. “Temos aqui grandes nomes da saúde discutindo algo que é uma necessidade: mudança. Nosso contexto econômico é desfavorável e precisamos falar sobre novos modelos”. 

Abrindo as apresentações, César Lopes, líder de Saúde e Benefícios em Grupo da Towers Watson, falou sobre a transformação no sistema de saúde americano com o Obamacare, programa criado pelo então presidente Barack Obama. "No Obamacare, uma empresa com 50 ou mais empregados deve oferecer o benefício de saúde com mínimo de cobertura definido por lei", explicou. "Chama-se play or pay. Ou se oferta a saúde conforme as leis ou se paga impostos por não ofertar. A reforma americana quer recolher mais dinheiro para cobrir as pessoas de baixa renda que ela trouxe ao sistema.” 

Segundo ele, aqui no Brasil, os altos custos dos planos de saúde têm levado as empresas a repensar este benefício ofertado aos seus empregados. “Tenho certeza que a maioria dos empregadores hoje, se pudesse, deixaria de oferecer o seguro saúde aos seus funcionários”. No Brasil, dos 51 milhões de beneficiários de planos de saúde, 66% são contratos coletivos empresariais. O aumento da sinistralidade com revisões do rol, a obrigatoriedade de ressarcimentos ao SUS, as despesas com aposentados ou demitidos e as liminares judiciais aumentam exorbitantemente os custos, conforme explicou Lopes. “Isso precisa mudar. O brasileiro não consegue ver que é um privilegiado ao ter um plano de saúde”, disse.

Para José Cechin, diretor executivo da FenaSaúde, as pessoas não tem a real noção de quanto custam os serviços. “Os serviços de saúde parecem gratuitos aos usuários, porque eles pagam uma quantia apenas no dia do pagamento, com o desconto em folha. É preciso criar produtos que levem às pessoas a ideia de que aquele exame tem custo ou aquela consulta tem custo. Há diversas formas de se fazer isso, mesmo que cobrando pouco do usuário. Mas esta cobrança teria um efeito didático muito importante, levando a um consumo mais moderado”, afirmou.

Cechin ainda apontou um dos grandes causadores dos aumentos crescentes da sinistralidade das operadoras: as internações, segundo ele, representaram um crescimento de 223,3%, de 2007 a 2012, nos custos. E são elas as responsáveis pelos gastos mais altos, como medicamentos, procedimentos, materiais especiais, órteses e próteses. O caminho, para ele, é promover novos produtos – como planos de coberturas limitadas, VGBL e coparticipações – e mudar o modelo de pagamento. “Fee for service não alinha incentivos”, finalizou. 

A então diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira, que participaria do evento, não conseguiu embarcar no aeroporto Santos Dummont, no Rio de Janeiro, devido ao mau tempo. Mas encaminhou, por meio do Núcleo da ANS em SP, representado por Daniele Pamplona, uma mensagem sobre as ações que a Agência vem aplicando para melhorar o relacionamento entre operadoras e prestadores. “Desculpo-me por não poder estar presente e agradeço a disposição do núcleo de São Paulo em transmitir minha mensagem. A ANS busca mudanças no modelo assistencial e financiamento. Queremos organizar a lógica na prestação de serviços, saindo do discurso para a prática. O TISS agora é uma realidade e pode receber dados nunca antes obtidos pela Agência, o que certamente é um avanço".  

Para finalizar os debates, um talk-show com os palestrantes e líderes do setor discutiu medidas que podem ser tomadas a curto, médio e longo prazos, além de sugestões de melhorias na saúde suplementar. Participaram Yussif Ali Mere Jr, José Cechin e Luiz Gastão Rosenfeld, membro da Câmara Técnica da Abramed. O painel teve moderação de Wilson Shcolnik, gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury, e contou com interação da plateia.

O tema mais comentado foi a Lei 13.003. “Será que a sua efetiva implementação poderia mudar esta quadro de incertezas?”, questionaram-se debatedores e  público. Para Luiz Gastão, a maneira como a qualidade foi inserida no contexto dos reajustes está equivocada. “Aprendi que a qualidade adiciona valor ao produto ou serviço, mas na visão da ANS, quem tem qualidade irá sustentar o preço, e não melhorá-lo. Da maneira como está posto, a certificação virá a qualquer custo, e a qualquer preço”, disse.

O presidente do SINDHOSP destacou que embora a lei seja um avanço, ela não resolverá tudo. “O mercado não se resolve por lei. Margem de lucro todo mundo quer, senão não se sobrevive. No entanto, utilizar a qualidade como um deflator é inaceitável. É preciso discutir este e outros problemas. Mas não nos resta outra alternativa: embora não estejamos todos preparados, temos de enfrentar os novos tempos da saúde”, concluiu.

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