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2007 - Quando tudo começou

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Na primeira edição do Seminário SINDHOSP/Fleury, realizada em 22 de novembro de 2007, esteve em pauta a importãncia dos indicadores para o futuro sustentável da saúde. O tema oficia, escolhido para inaugurar a inciiativa, era: Informação em Saúde: Indicadores para a Construção do Futuro. O evento aconteceu na sede técnico-administrativa do Fleury, na Capital paulista, e reuniu cerca de 120 executivos e lideranças do setor. “Este, certamente, é o primeiro de outros eventos que o SINDHOSP fará junto com o Fleury. Nosso objetivo é o de disseminar o conhecimento e trazer para discussão alternativas de sustentabilidade para o setor saúde”, afirmou, na ocasião, o então presidente do SINDHOSP, Dante Montagnana.

A primeira palestra foi proferida pelo então diretor de Relações Institucionais do Fleury, Marcos Bosi Ferraz. Com o tema "Perspectivas para a Saúde Suplementar: Desafios e a Importância dos Indicadores", o palestrante lembrou que é importante saber onde estamos e aonde queremos chegar. “Os indicadores são importantes porque expressam e documentam fatos e fenômenos em ambientes complexos, como o da saúde. Eles contribuem para o aprendizado, organização e reconhecimento das atividades, processos e comportamentos que fazem diferença no alcance dos objetivos estratégicos”, afirmou Marcos Bosi Ferraz. Para ele, seria imprescindível que prioridades, objetivos e metas estivessem bem definidos. “Com indicadores é possível mensurar, eles não podem ficar na prateleira. Precisam ser acreditados e são ferramentas importantes para a tomada de decisões empresariais e de rumo da política de saúde”.

Um estudo elaborado pelo Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES), que projetava o atual sistema de saúde suplementar até 2025, foi apresentado por Marcos Bosi Ferraz. Os grandes desafios do sistema eram compatibilizar as tentações consumistas de 2007, os recursos financeiros de 1980 e os problemas de saúde da década de 70. O CPES avaliou o efeito de alguns indicadores macroeconômicos no sistema de saúde e concluiu que, para manter o atual sistema, tanto público quanto suplementar, é preciso um crescimento médio do país de 5%. “Precisamos lembrar que nos últimos dez anos o crescimento médio do PIB foi de 3,5%. Se continuarmos com essa média, será necessária a aplicação de 10% a 12% do PIB em saúde. Em 2006 o investimento foi de 7,16%”, lembrou Ferraz.

No setor suplementar, o estudo mostrou que é preciso aumentar os ganhos na renda em pelo menos 0,5% acima da inflação para manter o atual nível de atendimento em 2025. “A maioria da população, entretanto, vem perdendo poder de compra. Caso isso continue acontecendo, em 20 anos tanto empresas que oferecem planos de saúde aos seus funcionários, quanto famílias que compram planos, não terão condições de manter os contratos”, colocou. Marcos Bosi Ferraz alertou que o sistema suplementar é importante não só para os usuários, mas também para o SUS. “Com todos esses desafios, os indicadores são importantes para orientar e justificar as decisões na saúde”.

O levantamento de indicadores no sistema público foi apresentado pelo então coordenador geral de Suporte Operacional de Sistemas da Secretaria de Atenção à Saúde, Wilson Schiavo. Ele afirmou que os cerca de 5.700 municípios brasileiros são obrigados a alimentar o sistema de informação do Ministério, mas que, apesar disso, há distorções. Um exemplo é o pagamento pré-determinado pelo SUS para cesáreas. “Percebemos que, de repente, o número de cesáreas despencou. Na verdade o dado não reflete a realidade, mas o gestor lança cesáreas até o limite determinado pelo governo e, depois, os partos normais. Caso contrário, corre o risco de não receber pelos serviços”, contou.

Iniciativas

A segunda parte do seminário foi destinada a apresentação de experiências já existentes na formação de indicadores. José Agenor Silveira apresentou o CQH – Controle de Qualidade Hospitalar, experiência desenvolvida há 16 anos pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). À época, 172 hospitais participavam da iniciativa. Indicadores como taxa de cesáreas, relação enfermeiro/leito, relação funcionários/leito, taxa de infecção hospitalar, de mortalidade operatória, taxa de ocupação, tempo médio de permanência, entre outros, eram levantados pelo CQH. “Analisando-os foi possível verificar que os hospitais que têm boa relação enfermeiro/leito têm taxa menor de mortalidade. Os indicadores servem para isso: analisar dados com eficiência. Isso é gerir bem uma empresa”, defendeu Silveira.

O projeto SINHA – Sistema Integrado de Indicadores Hospitalares ANAHP, foi apresentado pelo então vice-presidente da Associação, José Henrique Germann Ferreira. A ANAHP congregava, em 2007, 36 hospitais associados, totalizando 8.502 leitos. Destes, 6.995 leitos participavam do projeto SINHA. “Nem todos conseguem atender à complexidade de um trabalho como esse”, adiantou Germann. O objetivo do SINHA é desenvolver a inteligência e a cultura da medição. O sistema é confiável, imparcial e não vincula os dados aos nomes das instituições. “Cada participante recebe os seus indicadores e o resultado do grupo, para comparar como ele está em relação aos demais”, garantiu Germannn. O levantamento detectou, por exemplo, que em 2005 a receita líquida por paciente/dia foi de R$ 2.476. Em 2006, o valor caiu para R$ 2.374. “Concluímos que os hospitais estão ganhando menos. Mas, por que isso acontece? O sistema também permite a formulação de perguntas”.

A experiência do Prohasa, vinculado à Fundação Getúlio Vargas, foi apresentada por Haino Burmester. O sistema levanta indicadores econômico-financeiros, de qualidade, gestão de pessoas e gerais. “O grande desafio na área da saúde é implantar a cultura organizacional baseada em dados, números, evidências. Todo gestor precisa fazer comparações. Aquele que não compara não consegue fazer uma boa gestão”. Burmester também afirmou ser importante analisar as séries históricas dos indicadores. “Isso mostra tendências. Indicadores oferecem a possibilidade da análise crítica. O gestor conhece a origem e toma decisões com conhecimento”.

Debate

O final do evento foi reservado ao debate com os palestrantes, coordenado pelo então diretor do SINDHOSP, Fábio Sinisgalli, e com participação da platéia. Para o vice-presidente da ANAHP foi perguntado como os indicadores podem auxiliar na construção de um novo modelo de remuneração no sistema suplementar. “Ninguém muda sem dados, sem informação. Mas, além dos indicadores, os hospitais precisam ter um rol de resultados clínicos, coisa inexistente hoje. O risco do fee for service é todo da operadora. Para o hospital passar a ser remunerado por diária global, por exemplo, onde o risco é de ambos, o rol de resultados clínicos é importante”, afirmou Germann.

José Agenor Silveira disse ser possível comparar informações com perfis e culturas diferentes. “Em toda metodologia há o que chamamos de ajuste técnico. A expertise precisa ser usada, mas às vezes é difícil convencer a governança da organização. Por isso, a mudança de cultura precisa passar por toda a cadeia, inclusive pelas escolas médicas”. Já Sinisgalli defendeu a necessidade de uma análise mais crítica dos dados coletados. “Isso é fundamental para o processo de melhoria contínua”.

O representante do Ministério da Saúde garantiu que o governo precisa de uma base maior de informações para estipular políticas. “Se a rede de indicadores da rede privada crescer, nada impede que transformemos as informações em uma única rede, que represente não só o setor público, mas o privado também”, garantiu Wilson Schiavo. 

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