Secretarias querem restrições para o acordo Amil-Medial

Cade vai receber a avaliação de que negócio resultará em concentração de mercado excessiva em algumas regiões

Secretarias ligadas aos ministérios da Fazenda e da Justiça recomendaram ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que reprove parte da compra da Medial pela Amil nas cidades de São Paulo, Diadema e região de Mogi das Cruzes.

A aquisição, que custou à Amil R$ 612,5 milhões, foi anunciada no final de 2009 e tinha como um dos principais objetivos aumentar a participação da empresa na região metropolitana da capital.

Segundo a Folha apurou, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico) e a SDE (Secretaria de Direito Econômico) avaliaram que a fusão resultou em uma concentração de mercado muito grande nas zonas sul, central e parte da leste do município de São Paulo.

Isso poderia, segundo essas secretarias, diminuir a concorrência e prejudicar os clientes de plano de saúde e os prestadores de serviço.

Nesse caso, a recomendação ao Cade é que exija a venda dos ativos comprados da Medial, que incluem equipamentos, instalações, corpo técnico e material. Isso teria que ser repassado para uma terceira empresa, cuja participação de mercado não poderá superar os 20%.

As secretarias identificaram ainda concentração de mercado elevada nos municípios de Diadema e na região de Mogi das Cruzes.

No primeiro, o problema é que as duas prestadoras juntas detêm grande parte dos planos de pessoas físicas. Por isso, a recomendação é que seja vendida a carteira de beneficiários da Medial.

Já na região de Mogi das Cruzes, a preocupação é com a concentração resultante em laboratórios de análises clínicas, cujos ativos também teriam que ser vendidos.

Procuradas, as duas empresas disseram não ter tomado conhecimento do conteúdo dos pareceres e não quiseram comentar o caso.

A Seae e a SDE são as responsáveis por instruir os processos de fusão e aquisição e dão parecer com recomendações ao Cade, que tem poder de aprovar ou vetar.

Apesar de, na maioria das vezes, seguir as recomendações, o conselho não é obrigado a acatá-las.

A compra da Medial fez a participação da Amil em São Paulo passar de 7,9% para 15,1%. Em todo o Brasil, a fatia da empresa subiu de 6,2% para 10,1%.

Fonte: Folha de S. Paulo
 

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