Rede nacional vai apoiar criação de drogas anticâncer

Verba do Ministério da Saúde servirá para mapear as moléculas mais promissoras já estudadas no Brasil

O Brasil começará neste ano a fazer um mapeamento de instituições de pesquisa oncológica e de moléculas já identificadas por cientistas que tenham potencial como arma contra o câncer.

A ideia é encontrar candidatos para receber apoio técnico e financeiro do governo, com o objetivo de melhorar tratamentos e diminuir a dependência das importações na área no futuro.

A iniciativa é o ponto de partida da Redefac (Rede Nacional de Desenvolvimento e Inovação de Fármacos Anticâncer), criada para fomentar o desenvolvimento de drogas oncológicas no país.

O Brasil, que nunca desenvolveu um remédio contra o câncer, gastou em 2010 R$ 1,9 bilhão com medicamentos para a doença no SUS.

Em 2011, a estimativa é que esse valor tenha alcançado R$ 2,2 bilhões. Isso representa 3% do orçamento de R$ 70 bilhões do Ministério da Saúde para ações e serviços de saúde no mesmo período.

Sustentabilidade
“O investimento em pesquisa é fundamental para a sustentabilidade do SUS”, diz Zich Moysés Júnior, do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde do ministério. “Desde 1999 o gasto com radioterápicos mais do que dobrou, e o com quimioterápicos aumentou seis vezes.”

Após o mapeamento, que tem previsão de durar até um ano, um comitê avaliará o potencial científico e de mercado das substâncias identificadas. As mais promissoras passarão a receber apoio direto do governo.

Ajuda da indústria
A ajuda pode vir por meio da articulação com outros centros com expertise para tocar as etapas seguintes da pesquisa, do financiamento de estudos e registros de patente e da costura de acordos com a indústria farmacêutica, principalmente na fase de pesquisa clínica, quando o candidato a medicamento é testado em seres humanos.

“A etapa clínica é uma fase com custo muito alto”, diz o coordenador de pesquisa clínica do Inca (Instituto Nacional de Câncer), Carlos Gil Ferreira, responsável pela operacionalização da rede.

“Mundialmente, a tendência é que os governos dividam os riscos, e também os lucros, com a iniciativa privada. O plano é trazer esse modelo para o país”, afirma Ferreira.

Segundo ele, ao vender a patente para o setor privado, a rede irá acertar formas de acesso facilitado à nova droga pelo SUS. “Não faria sentido fazer todo esse esforço se o acesso ao remédio não fosse garantido”, afirma.

Para começar os trabalhos, a rede conta com R$ 1 milhão do Ministério da Saúde. Até 2014, deve receber outros R$ 16 milhões, segundo Moysés Júnior, do ministério.

Ele diz que R$ 8 milhões virão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e o restante, do Fundo Setorial de Saúde da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, órgão do governo federal).

Procurado, o BNDES confirmou ter recebido pedido de financiamento, mas disse que ainda espera proposta mais detalhada para análise.

Moysés Júnior não soube precisar quanto é investido hoje no setor, explicando que os recursos são distribuídos de forma dispersa. Para ele, uma das vantagens da Redefac será organizar as decisões de investimento, priorizando estudos considerados mais importantes para o país.

Fonte: Folha de S. Paulo

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