Pequenos laboratórios se unem para cortar custos

Diante da concorrência de grupos consolidadores como Dasa e Fleury, os pequenos laboratórios de análises clínicas estão formando grupos para realizar compras e exames de maior complexidade em conjunto. Normalmente, a demanda por exames mais sofisticados é menor, mas ao mesmo tempo exige equipamentos caros, o que dificulta a diluição dos custos.

Já há pelo menos quatro desses grupos em atividades em diferentes regiões do país: o catarinense Reação, o mineiro Lab Rede, o paulista LCA e o baiano LabForte. Juntos eles realizam mais de 2 milhões de exames por mês e reúnem mais de 520 unidades laboratoriais.

“A palavra de ordem dentro do Reação é reserva de mercado. Não conseguimos impedir a entrada dos “players” em Santa Catarina, mas é uma forma de pelo menos competir com eles”, disse Rafael Marin, diretor comercial do Grupo Reação, que reúne 227 laboratórios de Santa Catarina e fatura R$ 12 milhões por ano.

Segundo Marin, os laboratórios associados conseguem reduzir os custos em cerca de 35% em relação ao valor cobrado, por exemplo, pelo Hermes Pardini, laboratório mineiro que tem forte atuação na terceirização de exames para outros laboratórios.

O Grupo Reação, cujo faturamento anual é de R$ 12 milhões, já estuda inclusive oferecer exames de baixa complexidade caso a concorrência fique muito acirrada. “Hoje, apenas negociamos compras de materiais em conjunto”, explicou Marin. Exames de baixa complexidade são, por exemplo, colesterol, glicose, urina, cujos reagentes e equipamentos são mais baratos. Já os exames para detecção de doenças infecciosas são considerados mais complexos.

“A formação de um grupo também é uma forma de não rentabilizar o concorrente”, explicou Luísa Célia Dallacqua, gerente técnica do LCA. O grupo paulista realiza mensalmente 400 mil exames de maior complexidade para 11 importantes laboratórios do país que terceirizam seus exames exclusivamente com o LCA. “Só em casos de exames de altíssima complexidade é que procuramos laboratórios no exterior ou o Fleury, por exemplo”, complementou Luísa. Os demais grupos também realizam exames de alta complexidade com os “players” de mercado.

Já o mineiro LabRede tem um modelo misto de negócio. Os seus 250 associados fazem cerca de 400 mil exames na LabRede e uma outra parcela menor no Dasa, Fleury e Hermes Pardini. “A maior parte dos laboratórios pequenos terceiriza seus exames. Dos nossos 250 associados, apenas 30% fazem metade dos exames no próprio laboratório. Os outros 220 não fazem nem 5% da demanda. Por isso, a importância de um grupo”, disse José Marques Castro, diretor executivo da LabRede.

Criada em 2006, a LabForte, da Bahia, está hoje mais focado na compra de materiais e equipamentos médicos. São realizados por mês R$ 2,2 milhões em negócios para seus 39 sócios. Mas, o grupo já tem planos de expandir e realizar exames em escala. Hoje, são feitos 250 mil exames. “Temos um Núcleo Técnico Operacional em Feira de Santana, mas não dá para atender a Bahia toda. Vamos abrir mais três ou quatro unidades até o fim de 2012″, disse Antonio Portas, vice-presidente da LabForte. “Sozinho fica difícil competir com Dasa e Fleury”, complementou Eduardo Borges, presidente do grupo baiano.

“Há uma tendência cada vez maior de formação desses clusters porque os laboratórios concorrem com os “players” e negociam preços com as operadoras de planos de saúde, que também são grandes”, disse Gustavo Campana, sócio da Formato Clínico, consultoria especializada em laboratórios.

 

Fonte: Valor Econômico

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