Metade da população não sabe o que é hepatite C, indica pesquisa

Mais de mil pessoas em 11 cidades foram ouvidas pelo Datafolha

Os brasileiros sabem pouco sobre hepatite C, apesar de a doença ser responsável por metade dos quadros de cirrose ou câncer que demandam transplantes de fígado.

Pesquisa Datafolha mostra que metade da população (51%) não é capaz de dizer espontaneamente o que é a doença, apesar de reconhecê-la como grave e contagiosa.

Os dados da pesquisa, que ouviu 1.137 pessoas em 11 cidades no mês de julho, foram apresentados ontem, em Salvador, durante o Congresso Brasileiro de Hepatologia. A margem de erro é de três pontos percentuais.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia estima que até 2 milhões de brasileiros tenham a doença, mas só 20 mil estão em tratamento.

A pesquisa mostrou outro dado alarmante: 25% dos entrevistados acreditam, equivocadamente, que há vacina contra a hepatite C – e 7% dizem ter sido imunizados.

“As hepatites virais são doenças negligenciadas no Brasil. Precisamos fazer com elas o que foi feito com a Aids. Hoje todo mundo tem informação sobre o HIV”, diz o presidente da sociedade, Raymundo Paraná.

Diagnóstico tardio
A hepatite é uma inflamação do fígado, que pode ser causada por vírus, bactérias, abuso de álcool e de medicamentos ou ser hereditária.

Descoberto em 1989, o tipo C é transmitido pelo uso compartilhado de agulhas e seringas contaminadas e em transfusões de sangue. Se tratada nos estágios iniciais, a doença é curável.

Para efeito de comparação, o número de pacientes com cirrose hepática em decorrência de hepatite é duas vezes maior do que o dos que desenvolveram o quadro pelo consumo de álcool.

“Como 80% dos casos não apresentam sintomas, a pessoa não faz exames. Anos depois, temos de cuidar não de uma hepatite, mas de uma lesão séria no fígado”, diz o infectologista Fernando Gonçales, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A doença representou 70% das mortes entre todos os tipos de hepatites ocorridas nos últimos dez anos no país, ou seja, cerca de 14,9 mil mortes no período, segundo o Ministério da Saúde.
 

Fonte: Folha de S. Paulo

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