Médicos paulistas param de atender dez planos de saúde

Os médicos de São Paulo decidiram por unanimidade, durante assembleia realizada na noite da última quinta-feira (30), paralisar o atendimento a dez planos de saúde no Estado

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Os médicos de São Paulo decidiram por unanimidade, durante assembleia realizada na noite da última quinta-feira (30), paralisar o atendimento a dez planos de saúde no Estado. Antes da assembléia, 15 operadoras foram oficiadas pelas entidades médicas para estabelecer uma sequência de negociações na relação entre médicos e planos de saúde. Dessas, dez não responderam e as outras cinco responderam de maneira insatisfatória e terão mais 30 dias para retomar as negociações, caso não queiram o descredenciamento.

A paralisação dos planos será feita de forma setorial, sequenciada por especialidade e por regiões ou localidades onde a dificuldade ou o conflito de atendimento dessas dez operadoras for maior. Por exemplo: em uma semana, clínicos-gerais deixarão de atender por três dias esses convênios. Na seguinte, é a vez dos oftalmologistas, e assim por diante. O cronograma de paralisação será definido nos próximos 20 dias.

Porto Seguro, Gama Saúde, GreenLine, Intermédica, ABET (Telefônica), da Caixa Econômica Federal, Cassi (Banco do Brasil), da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da Embratel e Notredame são os convênios que deixarão de ser atendidos pelos médicos.

“Esperamos que, com essas paralisações, possamos sensibilizar as operadoras sem prejudicar os pacientes,” ressaltou o presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes.

Entre as principais reivindicações dos médicos estão:

– Autonomia do médico, com o fim das pressões das empresas para que reduzam solicitações de exames, de internações e de outros procedimentos, interferências abusivas que colocam em risco a saúde dos cidadãos.

– inserção, no contrato com as operadoras, de uma cláusula que preveja reajuste anual nos honorários com base no índice de aumento das mensalidades dos usuários autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar),

– procedimentos atualizados proporcionalmente de acordo com o sistema de hierarquização da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM)

– valor da consulta de, no mínimo, R$ 80.

Lucros abusivos:

No último dia 10 de maio, uma audiência na Câmara dos Deputados discutiu a relação entre médicos e os planos de saúde. Durante o evento, os altos lucros apresentados pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as 15 maiores operadoras do Brasil assustaram os parlamentares. De acordo com dados expostos na ocasião pela FenaSaúde as operadoras tem um lucro anual de aproximadamente 20%.

“Os médicos estão literalmente pagando para trabalhar e os planos de saúde não se sensiblizam com isso. Esses lucros abusivos são um absurdo sob todo e qualçquer aspecto de análise. Sob o ponto de vista da cobrança de mensalidade dos pacientes, que é cada vez maior e mais exorbitante e sob o ponto de vista de uma restrição cada vez maior dos atendimentos através da quebra da autonomia profissional,” pontuou Cid Carvalhaes.

 

 

 

Fonte: Fenam, com informações da Agência Estado

Foto: Osmar Bustos – Simesp

 

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