Maior renda média deverá ajudar o fortalecimento do setor de saúde em 2012

O aumento da aversão ao risco com a crise europeia tirou o fôlego do mercado acionário brasileiro em 2011, e muitas ações começam 2012 em patamar mais baixo do que iniciaram o ano anterior. Em momentos de instabilidade, especialistas recomendam o foco em setores mais resilientes, como energia, telecomunicações e saúde. Este último setor conta com uma combinação de demanda alta, constante e pode atrair investidores neste ano que se inicia.

Além disso, trata-se de um setor que acompanha principalmente a economia nacional, um privilégio em momentos de crises externas, afirma o analista Rafael Frade, da Bradesco Corretora. “O consistente aumento do salário real no Brasil tem um impacto direto nos planos privados de saúde pública, já que existe uma percepção de que o setor público não providencia serviços de qualidade”, afirma o analista. Frade acredita que o bom desempenho do mercado de trabalho formal e da renda média são fatores que deverão sustentar a expansão do setor.

Isso beneficiaria tanto empresas que oferecem planos, como Amil (AMIL3) e Odontoprev (ODPV3), quanto as prestadoras de serviço, como Dasa (DASA3) e Fleury (FLRY3), dizem Iago Whately e Gabriel De Caetano, analistas do Banco Fator Corretora. Eles também chamam atenção para o importante crescimento da participação de PME (Pequenas e Médias Empresas) para o setor, que cada vez mais utilizam planos corporativos.

Envelhecimento da população é driver positivo
O envelhecimento da população brasileira é mais um driver positivo. “O Brasil ainda tem uma média de idade de 28 anos, contra uma média de 36 anos em países desenvolvidos. Esse envelhecimento deverá colaborar para o setor de saúde, graças à maior necessidade por serviços médicos”, afirma Frade.

Whately e Caetano lembram que o mercado de medicamentos deverá crescer 2% ao ano nos próximos 20 anos, somente por conta desse envelhecimento. A estimativa é que os indivíduos com mais de 60 anos passem de 10% da população para 19% em 2030, o que fortaleceria o consumo per capita da população nacional.

Grande diversidade, mas poucas barganhas
Chama a atenção também o fato do setor englobar empresas muito diferentes, que englobam farmácias, como a Raia Drogasil (RADL3); operadoras de planos de saúde, como Amil; operadoras de plano de seguro odontológico, como a Odontoprev; fabricantes de medicamentos, como a Hypermarcas (HYPE3); e medicina diagnóstica, como Dasa e Fleury.

“Recomendamos aos investidores maior exposição ao setor de saúde, mas com olhar seletivo em relação aos desafios enfrentados por cada companhia”, afirmam Whately e Caetano.

Eles lembram que mesmo com a grande desvalorização da maioria das ações desse setor em 2011, não há barganhas – já que muitas estavam operando com múltiplos elevados. “Existe um conjunto de companhias com bons fundamentos de longo prazo, mas que enfrentam desafios de curto e médio prazo, sobretudo relacionados às diversas aquisições”, lembram os analistas da Banco Fator Corretora.

Consolidação
As principais empresas do setor ainda deverão se beneficiar da oportunidade de crescer através de fusões e aquisições. “Atualmente existem 1.200 operadores de planos de saúde no País, e o novo marco regulatório deverá trazer nova consolidação”, afirma Frade.

Além disso, são esperadas fortes sinergias para o setor durante 2012. A varejista Raia Drogasil, por exemplo, deverá ganhar com a unificação dos processos de compras. Outras empresas, como Odontoprev, Fleury, Cremer e Dasa, que tiveram fusões e aquisições relevantes nos últimos meses, deverão colher seus frutos.

Dois fatores, entretanto, podem frear o ímpeto de consolidação: a postura mais conservadora da ANS (Agência Nacional de Saúde) e Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que estabelece tratamento diferenciado à pequenas e médias operadoras de planos de saúde, e a falta de grandes oportunidades na medicina diagnóstica. Os grandes players já foram adquiridos por Dasa e Fleury.

Regulação
Por outro lado, o ambiente regulatório também pode permitir crescimento para o setor. A ANS (Agência Nacional de Saúde) pode optar por mudanças em critérios para lastros de provisões técnicas e regulamento de medicamentos isentos de prescrição, dizem os analistas da Fator.

Um exemplo é o possível fim da disputa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o varejo farmacêutico em relação à obrigatoriedade das farmácias colocarem os medicamentos isentos de prescrição atrás do balcão. Embora deva se prolongar durante o ano de 2012, a Hypermarcas espera se beneficiar do cancelamento dessa lei, já que acredita que isso tem enfraquecido a venda de seus medicamentos.

Algumas farmácias, como a Raia Drogasil, deverão manter esses medicamentos fora da área de vendas, mesmo com o eventual cancelamento dessa lei. “Elas tem se beneficiado da liberação de espaço nas gôndolas para ampliar a oferta de não medicamentos, que possuem maior margem”, concluem Whately e Caetano.

Odontoprev e Fleury são top picks “O setor de seguro odontológico privado é consideravelmente mais subpenetrado e, portanto, cresce de forma muito mais rápida”, afirmam Luciano Campos e Caio Moscardini, da equipe de análise do HSBC. Isso é fator principal para que os analistas tenham escolhido a OdontoPrev como principal aposta para o setor. Para a dupla, dois são os fatores principais para o desempenho das ações durante 2012: o poder de distribuição e de colocação de preços.

Já Frade, do Bradesco, possui na Fleury sua principal aposta no setor. “A expansão nos planos de saúde não foi acompanhada pela expansão nas prestadoras de serviços, o que deixa espaço para que as grandes do setor apresentem crescimento”, afirma. Além disso, a empresa tem um plano de expansão agressivo de ampliação de sua rede, destaca.

Fonte: Portal UOL

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