Laboratório só para mulheres cresce atento aos detalhes

Empresa fatura mais de R$ 13 milhões em 2010 e agora planeja a abertura de novas unidades sem descuidar da qualidade

Ao decidir atender apenas mulheres e eleger a qualidade do atendimento como principal diferencial competitivo, os sócios do laboratório Femme tiveram de aprender a prestar atenção aos detalhes. E, graças a esse olhar minucioso, eles conseguiram criar um ambiente que não lembra em nada as salas frias da concorrência.

Mas, depois de crescer mais de 50% ao ano e faturar R$ 13 milhões em 2010, os empresários agora se veem forçados a pensar grande. “Para dar continuidade à expansão, não tem jeito: precisamos abrir outras unidades”, reconhece o radiologista Décio Roveda Junior, sócio do laboratório. O desafio será manter nos outros endereços o mesmo clima intimista da matriz.

Na única unidade do Femme, inaugurada em 2000 no bairro paulistano do Paraíso, há quadros de artistas plásticas renomadas nas paredes, flores nas mesinhas e salões aromatizados. Existe uma sala de espera destinada apenas a quem fará exames de rotina e outra para mulheres que estão aguardando por exames mais específicos.

A divisão se explica. “O primeiro grupo deseja que nós sejamos rápidos e eficientes, porque não querem perder tempo com exames periódicos”, justifica Roveda. “Já o segundo grupo precisa de mais cuidado e atenção porque muitas vezes essas mulheres já sabem que estão doentes ou estão fragilizadas, pois vieram aqui para descartar ou confirmar alguma suspeita médica.”

Para atender 4 mil mulheres e realizar 40 mil exames por mês, os 90 funcionários do laboratório recebem treinamento contínuo. “Basicamente, nós os ensinamos a se anteciparem aos possíveis questionamentos que as mulheres farão, deixando-as mais seguras”, explica Roveda.

Um sistema eletrônico monitora cada passo da paciente no laboratório. “Não queremos que ela fique esperando. Assim que ela termina um exame, já encaminhamos para o próximo procedimento”, diz Roveda.

Assim, a empresa também ganha produtividade. “No setor de serviços, tempo parado é tempo perdido. Por isso, ao reduzir os intervalos entre um exame e outro, conseguimos atender mais pessoas e aumentar o faturamento”, afirma o médico.

Mas isso não significa que Roveda queira superlotar a unidade. Pelo contrário. Com espaço limitado e casa cheia, a empresa passou a selecionar melhor seus clientes. Descredenciou os convênios que ofereciam baixa remuneração e passou a fazer ações de marketing direcionadas a uma seleta lista de médicos renomados na cidade. Com isso, a lucratividade aumentou.

Em 2012, o laboratório poderá receber mais pacientes, porque sua área será ampliada em 650 metros quadrados. No edifício em construção ao lado da unidade atual, o Femme vai ocupar a parte térrea do prédio – resultado de um acordo feito entre os sócios do laboratório e a incorporadora responsável pela obra.

Para competir com gigantes do setor, entretanto, o Femme precisa de capilaridade. Por isso, os sócios já estudam propostas para receber aporte de um fundo de investimentos. Com a entrada de capital, Roveda planeja abrir uma unidade a cada ano.

“Como no setor de serviços a qualidade é um valor essencial, o ritmo de expansão precisa ser estudado para que isso não se perca”, avalia Vladimir Valladares, da consultoria V2 Consulting. “A maior dificuldade, nesse caso, é conseguir contratar e treinar mão de obra para que os processos sejam reproduzidos em cada detalhe.”
 

Fonte: O Estado de S. Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

cinco + nove =

Há 20 anos representamos hospitais, clínicas, laboratórios e outros estabelecimentos do setor privado de Saúde no Estado de São Paulo

SINDICATOS

Rolar para cima