Alimentação saudável custa caro, mas evita gastos futuros com saúde

Preço da cesta de produtos light é 35% maior. Alvo é o consumidor de alta renda

Quem decide recorrer a uma dieta para deixar o corpo em forma precisa preparar o apetite e, sobretudo, o bolso. As prateleiras dos supermercados estão cheias de alternativas para quem deseja perder alguns quilinhos. Porém, os preços dos alimentos light costumam ser mais salgados do que os dos produtos tradicionais. Para atingir o objetivo, sem susto no orçamento, é preciso ter cuidado na hora de ir às compras. O Correio montou, com ajuda de uma nutricionista, duas cestas básicas. A de produtos light ficou 35% mais cara (R$ 103,08) que a convencional (R$ 76,36).

Mas é importante deixar claro: apenas a ingestão de produtos sem gorduras e de baixas calorias não determina um corpo esbelto e saúde de ferro. A dieta alimentar deve vir acompanhada de exercícios físicos constantes. Assim, o bolso sentirá um peso a mais com as mensalidades, por exemplo, das academias. Para ter direito a um pacote básico de ginástica e musculação é preciso desembolsar, em média, R$ 318 no primeiro mês (incluindo a matrícula). Depois, a mensalidade cai para R$ 209. Nos centros de estética, os planos são ainda mais caros. Um conjunto de 10 massagens linfáticas não sai por menos de R$ 350. Em compensação, certamente diminuirão os gastos com o tratamento de doenças, que andam cada vez mais elevados.
 
Mercado de US$ 152 bilhões
A procura por alimentos light anda a todo vapor. Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) mostra que esse mercado movimenta US$ 152 bilhões por ano em todo o mundo. No Brasil, não há um número fechado, mas as vendas crescem pelo menos o dobro do que as de produtos tradicionais: 14% por ano ante 7%, nas projeções mais conservadoras. Isso porque um em cada dois brasileiros faz regime em algum momento da vida. E mais: 61% dos entrevistados pela Abiad estão preocupados em melhorar a qualidade de vida.

O economista da Fecomércio-RJ Paulo Padilha afirma que, em geral, os produtos naturais têm preço mais elevado porque são voltados para um grupo mais seleto de consumidores. A professora aposentada Diva de Araújo, 66 anos, não se preocupa com o preço alto desse tipo de alimentos e investe pesado em produtos considerados mais saudáveis. Para ela, prejuízo maior é ter que gastar com consultas médicas ou com remédios. Diva diz que prefere consumir carnes brancas, arroz integral e, sobretudo, muitas frutas. Conta também que gasta cerca de 20% da sua renda com produtos do gênero e que, para completar o estilo de vida saudável, pratica toda semana “capoterapia” – capoeira mais leve – e pilates. “Até hoje, meu orçamento não foi comprometido”, afirma.

Embora as mulheres geralmente sejam as mais interessadas no assunto, um número cada vez maior de homens também se preocupa em ter uma alimentação sadia. É o que faz o servidor público Silvio Nobre, 60 anos. Ele diz que, depois dos 50 anos, a saúde tem que ser priorizada. Silvio conta que passou a gastar R$ 25 a mais por mês só com produtos como leite desnatado e sucos naturais. “Sei que ser light custa mais caro, mas, com o tempo, a alimentação saudável faz a diferença na saúde. E consigo equilibrar o que gasto a mais com o meu orçamento”, afirma.

Com a inflação em alta, porém, todo cuidado é pouco. Segundo a nutricionista Stael Braga, cada consumidor tem o seu perfil de renda e nem todos possuem condições financeiras de manter uma dieta mais cara ou frequentar academias. Para poupar o bolso e manter a saúde em dia, o ideal é montar uma lista de compras com produtos que caibam no orçamento. É preciso muita atenção ainda para não fazer gastos desnecessários ou acumular dívidas. Afinal, não vale a pena buscar a saúde do corpo e acabar prejudicado financeiramente.

Parcelamento
O economista da Serasa Experian Carlos Henrique de Almeida alerta que, por conta do futuro incerto da economia, o consumidor deve ter cuidado, principalmente com as dívidas parceladas. “A cautela deve ser maior para os usuários de cartão de crédito. Eles devem analisar os gastos e desmembrar cada despesa com seus respectivos valores, e, a partir daí, controlar o orçamento para que esse não seja comprometido”, diz. Almeida esclarece ainda que, mesmo com a queda da taxa básica de juros (Selic) estabelecida pelo Banco Central – para 11,5% ao ano -, os juros para o consumidor são muito altos no Brasil. No cartão, por exemplo, pode chegar facilmente a 12% ao mês, e até mais que isso.

“É importante que o consumidor não se iluda com os cortes estipulados pelo BC e evite acumular débitos, pois os encargos podem fazer com que a dívida cresça como bola de neve”, afirma. E para não ter o nome incluso no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Serasa, o consumidor deve pesquisar os preços e comprar as prioridades. “Não é bom para Serasa nem para os clientes ter seu nome incluso na lista de inadimplência”, diz.

Fonte: Correio Braziliense

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