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SINDHOSP leva o tema da desospitalização a Santo André

SINDHOSP leva o tema da desospitalização a Santo André

31/10/2018

A assistência à saúde vai muito além do atendimento hospitalar, e o mercado já vive esta realidade. Este foi o mote debatido na manhã desta terça-feira, 30 de outubro, na regional do SINDHOSP em Santo André (SP), durante o workshop “Desospitalização: onde estamos e para onde vamos”.  

Clínicas de retaguarda, de cuidados paliativos, de reabilitação, hospitais de longa permanência  e serviços especializados em atendimento domiciliar se reuniram , lado a lado, com representantes de grandes hospitais e de operadoras de planos de saúde que já trabalham com o conceito junto aos seus pacientes.

O vice-presidente do SINDHOSP, Luiz Fernando Ferrari Neto, falou na abertura do evento, destacando a necessidade de o setor definir os critérios de elegibilidade para a transição de pacientes. Contou que um comit~e sobre o tema foi formado dentro do Sindicato, e que o objetivo é promover um Congresso de Desospitalização em maio, durante a Hospitalar.   

Segundo Luciano Rodrigues de Oliveira, enfermeiro da equipe de desospitalização do Hospital Sírio Libanês, o envelhecimento da população brasileira, o aumento das doenças crônicas e o crescimento dos custos obrigaram os hospitais a fazerem a gestão de leitos, e pensarem na transição de doentes para equipamentos menos complexos. Ele destacou que a desospitalização, no Sírio Libanês, é trabalhada já na admissão. “É mais difícil desospitalizar aquele paciente que fica mais tempo internado. Por isso, a alta é trabalhada no momento da admissão. A internação hospitalar deve ser encarada como uma transição e cabe à equipe multidisciplinar informar o tempo todo o plano de cuidados, para que paciente, família e médicos entendam a hora certa de desospitalizar”.

No Hospital Israelita Albert Einstein, a equipe de desospitalização atua desde 2005 e é composta por um médico, dois enfermeiros e dois assistentes sociais. “Acompanhamos os pacientes com mais de 15 dias de permanência ou risco de longa permanência”, detalhou a enfermeira Patricia Silveira Rodrigues, membro da equipe. Na Beneficência Portuguesa,  a plano terapêutico do paciente também é acompanhado pela equipe de desospitalização desde a admissão, que vai à beira do leito, conversa com as famílias e atua para identificar, já no hospital, o possível cuidador. “Com a equipe, temos um método de trabalho que multiplica a informação, porque muitas vezes há ausência de conhecimento do próprio profissional, que está na ponta”, contou Iris Ingrid de Oliveira Silva, enfermeira de protocolos e desospitalização da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Primeira operadora de plano de saúde a investir em transição de cuidados, a Amil iniciou, há dois anos, um trabalho para repensar a área e “sair da caixinha do home care”. Segundo Ariane Mutti, gerente nacional de desospitalização da Amil, os equipamentos se diversificaram e podem oferecer mais qualidade ao paciente, dependendo do seu perfil. “Criamos uma equipe multidisciplinar, e temos feito reuniões periódicas nos hospitais, que incluem inclusive discussões de casos clínicos. É importante que família, paciente e equipes entendam que desospitalização não é alta precoce”, disse.

Para Rodolfo Pires de Albuquerque, diretor médico do Grupo Notre Dame Intermédica, a judicialização, nessa área, gera muitas injustiças. “Hoje temos 100 liminares determinando o atendimento em home care, e isso representa 50% do custo total do atendimento domiciliar”. Para ele, o problema do financiamento da saúde, especialmente do idoso, é uma questão de toda a sociedade, e precisa ser discutida. “A saída é reduzir custos, e a realidade é que quando você pratica qualidade, você reduz custo”.

Na SulAmérica, o conceito de desospitalização também já estão implantado, e funciona na medida em que há cirtérios de elegibilidade. Viviane Mathias, gerente de assistência domiciliar, junta e serviços médicos da operadora, destacou que família apresentam resistência quando o caso é agudo e há indicação de transferência para hospital de retaguarda. "Quando o paciente advém do quadro agudo, e a família não passou pelo cuidado em casa, não sabe como é dífcil e acha que vai ser melhor o home care". 

O fundador e diretor executivo da Clínica Nobre, Eduardo Santana, destacou alguns números: R$ 50 bilhões gastos com internação em um ano no país (dados da Abramge), e 9.170 pacientes em longa permanência nos hospitais da Anahp – o que representa 10% dos estabelecimentos do país. “Acredito que precisamos de um sistema complementar, mas que também seja preciso promover uma mudança cultural”.

O evento contou com auditório lotado, com a presença de inúmeros representantes de hospitais, clínicas e laboratórios. O CEO do SINDHOSP, Marcelo Gratão, e a gestora do IEPAS – promotor do evento – Marizilda Angioni, também prestigiaram o workshop.

Acompanhe mais cobertura do tema na edição de dezembro da Revista FEHOESP 360.

 

Por Aline Moura 

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