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Sindicato recebe historiadora para palestra sobre imigração e saúde 

Sindicato recebe historiadora para palestra sobre imigração e saúde 

26/09/2018

Em comemoração aos 80 anos do SINDHOSP, e também para apresentar oficialmente ao público o site Memória Saúde, o Sindicato realizou, em 20 de setembro, no seu auditório, a palestra “A Travessia: adoecer, viver e morrer na marcha imigratória para o Brasil (1890-1926)”, com a historiadora e jornalista Fernanda Rebelo-Pinto. 

O tema da aula é homônimo do livro que foi sua tese de doutorado. Na obra, Fernanda volta no tempo para contar a história das pessoas que imigraram para o Brasil no início do século XX, mais de 31 milhões de pessoas. No mesmo período, segundo ela, muitos imigrantes também foram para Buenos Aires e Nova Iorque. No entanto, a política de fomentar a vinda de imigrantes através do custeio das passagens de famílias inteiras foi praticada somente pelo Brasil.

Segundo Fernanda, sua ideia inicial era dar voz às histórias de pessoas que, ao contrário do senso comum, enfrentaram dificuldades, doenças e morte no processo de travessia. “Foram quase dez anos de trabalho, utilizando o método de microanálise da documentação existente, e por meio dos depoimentos de descendentes de imigrantes. Mas não consegui chegar exatamente no ponto de vista dos imigrantes”. Ela explica que a documentação é escassa, especialmente porque os passageiros que adoeciam, por exemplo, eram jogados ao mar. “Especialmente os de terceira classe, que viajavam em condições muito precárias e estavam muito mais expostos ao contágio de doenças”.

O cenário do início do século XX também não era muito favorável às boas condições de saúde: gripe espanhola, peste turca, cólera asiática e febre amarela, no Brasil. Sem contar que a medicina ainda engatinhava em relação aos descobrimentos que logo vieram a mudar os conceitos de contágio, como a microbiologia. “Era uma viagem de muito risco, e que frequentemente levava ao adoecer. As doenças desestruturavam famílias e isso significava menos força de trabalho. Sem nenhum tipo de cortejo fúnebre, os corpos eram jogados ao mar”, contou. E, para desespero dos viajantes, quando havia uma epidemia a bordo, era comum que o navio não fosse autorizado a atracar em porto brasileiro, sendo encaminhado para um local de quarentena – distante do porto do Rio de Janeiro – ou para o que se chamava o “torna-viagem”, que era o regresso ao país de origem. “Muitos navios retornavam para a Itália, de onde partiram, com quase todas as pessoas mortas. Isso causou, durante um período, grande problema diplomático entre Brasil e Itália”, revelou Fernanda.

Neste sentido, os médicos nos portos, e as novas descobertas, tiveram um papel preponderante no período. Com os conhecimentos em microbiologia avançando, as desinfecções começaram a mudar, aos poucos, a maneira como se lidava com as doenças. “No entanto, as ideias científicas demoram para entrar no senso comum. Os próprios médicos positivistas não acreditavam em micróbios, porque não conseguiam vê-los”.

Após a palestra, os historiadores Mariana de Carvalho e Felipe Bueno Crispim conduziram um debate com a plateia, ao lado da colega Fernanda Rebelo-Pinto. 

O presidente em exercício do SINDHOSP, Luiz Fernando Ferrari Neto, apresentou ainda o site Memória Saúde (www.memoriasaude.org.br), lançado naquela semana, como fruto de um trabalho de seis meses orquestrado pela doutora em história, Josiane Roza de Oliveira. A iniciativa nasceu para celebrar os 80 anos de existência do SINDHOSP, o maior sindicato patrona da América Latina, e um dos mais antigos. 

Entre os convidados, estiveram o presidente do IEPAS, José Carlos Barbério, os diretores do SINDHOSP, Antonio Carlos de Carvalho e Ricardo Nascimento Teixeira Mendes, o CEO do SINDHOSP e da Federação e do IEPAS, Marcelo Gratão, além de representantes do setor e colaboradores. 

Interessou-se pelo livro? Acesse mais informações: www.editoramultifoco.com.br 

 

Por Aline Moura
Fotos: Leandro Godoi

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