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Entenda as novas regras do ISS

09/01/2018

Com a publicação da Lei Complementar nº 157/2016, que prescreveu novas regras sobre a cobrança do Imposto sobre Serviço (ISS) cobrado por Municípios e pelo DF, houve alterações para algumas atividades. Agora quem cobra o imposto não é o município que sedia a empresa e sim a cidade em que o serviço foi consumido. 

Destacamos, a inclusão do art. 8º-A no texto da LC 116/03 com a previsão de que o valor mínimo de alíquota que poderá ser adotado pelos municípios e pelo DF para a cobrança do ISS é de 2% (dois por cento), sendo o valor  máximo de 5% (cinco por cento).

Também ressaltamos que o ISS não poderá ser objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito, seja ele presumido ou outorgado, nem de qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da alíquota mínima estabelecida, exceto para os serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa" à LC 116/03.

A grande novidade trazida pela LC 157/16 foi a sanção para os entes federados que descumprirem esse limite mínimo de alíquota de ISS. O efeito é a nulidade da lei ou do ato administrativo que prescreva a aplicação de alíquota inferior a 2% no cálculo do ISS incidente sobre serviço prestado a tomador ou a intermediário que esteja localizado em Município diferente daquele onde está o prestador do serviço (art. 8º-A, §2º, que foi incluído na LC 116/03).

Outra novidade prevista na LC 157/16 para os municípios que cobrarem o ISS com valor de alíquota inferior a 2% atinge diretamente o administrador público que autorizar, por ação ou omissão, a concessão, a aplicação ou a manutenção desse benefício: a caracterização de tal conduta como ato de improbidade administrativa, punível com a "perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido" (art. 10-A e inciso IV do art. 12, incluídos na lei 8.429/92 pela LC 157/16), em razão disso, muitos Municípios já publicação normas alterando as alíquotas do ISS para se adequar a LC 157/2016. 

É importante salientar que, apesar de estabelecer esse valor mínimo de alíquota para a cobrança do ISS incidente sobre o preço do serviço, a LC 157/16 não retirou a possibilidade de tributação de ISS em valor fixo dos serviços prestados em caráter pessoal, conforme previsto no art. 9º, §§1º e 3º do decreto-lei 406/68. Considerando que a LC 116/03.

A LC 157/16 também alterou lista de atividades consideradas como prestações de serviços tributáveis por meio do ISS, que consta anexa à LC 116/03. Foram alterados os itens 1.03, 1.04, 7.16, 11.02, 13.05, 14.05, 16.01 e 25.02. Ainda foram incluídos novos itens nessa mesma lista: itens 1.09, 6.06, 14.14, 16.02, 17.25 e 25.05

Agora, o ISS passa a ser cobrado também de serviços prestados via internet, caso, por exemplo, de pacotes de assinaturas que disponibilizam acesso a filmes, séries e músicas. Livros e noticiários ficam livres dessa cobrança.

A lei estabelece que o ISS sobre as operações financeiras, como as de cartão de crédito ou débito, de factoring e de leasing deverá ser cobrado no local onde forem realizadas. 

Por fim, nenhum município ou o distrito federal  pode cobrar alíquota de ISS inferior a 2%, sendo a razão de muitas alterações das legislações municipais nos últimos meses.

A íntegra para conhecimento

LEI COMPLEMENTAR No - 157, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2016

Altera a Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, que dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, a Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992 (Lei de Improbidade Administrativa), e a Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990, que "dispõe sobre critérios e prazos de crédito das parcelas do produto da arrecadação de impostos de competência dos Estados e de transferências por estes recebidos, pertencentes aos Municípios, e dá outras providências".

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:

Art. 1o A Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, passa a vigorar com as seguintes alterações:

"Art. 3o O serviço considera-se prestado, e o imposto, devido, no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador, exceto nas hipóteses previstas nos incisos I a XXV, quando o imposto será devido no local:
 ...........................................................................................................

XII - do florestamento, reflorestamento, semeadura, adubação, reparação de solo, plantio, silagem, colheita, corte, descascamento de árvores, silvicultura, exploração florestal e serviços congêneres indissociáveis da formação, manutenção e colheita de florestas para quaisquer fins e por quaisquer meios; ...........................................................................................................

XVI - dos bens, dos semoventes ou do domicílio das pessoas vigiados, segurados ou monitorados, no caso dos serviços descritos no subitem 11.02 da lista anexa;
 ..........................................................................................................

XIX - do Município onde está sendo executado o transporte, no caso dos serviços descritos pelo item 16 da lista anexa; ...........................................................................................................

XXIII - (VETADO);

XXIV - (VETADO);

XXV - (VETADO). ......................................................................................
§ 4o (VETADO)." (NR)

"Art. 6o .......................................................................... ..............................
 2o .............................................. ........................................................

III - (VETADO).
§ 3o ( V E TA D O ) .
§ 4o (VETADO)." (NR)

Art. 2o A Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 8o-A:

"Art. 8o-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é de 2% (dois por cento).
§ 1o O imposto não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa a esta Lei Complementar.
§ 2o É nula a lei ou o ato do Município ou do Distrito Federal que não respeite as disposições relativas à alíquota mínima previstas neste artigo no caso de serviço prestado a tomador ou intermediário localizado em Município diverso daquele onde está localizado o prestador do serviço.
§ 3o A nulidade a que se refere o § 2o deste artigo gera, para o prestador do serviço, perante o Município ou o Distrito Federal que não respeitar as disposições deste artigo, o direito à restituição do valor efetivamente pago do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza calculado sob a égide da lei nula."

Art. 3o A lista de serviços anexa à Lei Complementar no 11 6 , de 31 de julho de 2003, passa a vigorar com as alterações constantes do Anexo desta Lei Complementar.

Art. 4o A Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992 (Lei de Improbidade Administrativa), passa a vigorar com as seguintes alterações:

"Seção II-A

Dos Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de Benefício Financeiro ou Tributário

Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1o do art. 8o-A da Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003."
"Art. 12. ................................................................... ..............................
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido. ..............................................................................................." (NR)
"Art. 17. .................................. ...............................................................
§ 13. Para os efeitos deste artigo, também se considera pessoa jurídica interessada o ente tributante que figurar no polo ativo da obrigação tributária de que tratam o § 4o do art. 3o e o art. 8oA da Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003." (NR)

Art. 5o O art. 3o da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 1o-A e 1o-B:
"Art. 3o ................................................................ .................................
§ 1o-A. Na hipótese de pessoa jurídica promover saídas de mercadorias por estabelecimento diverso daquele no qual as transações comerciais são realizadas, excluídas as transações comerciais não presenciais, o valor adicionado deverá ser computado em favor do Município onde ocorreu a transação comercial, desde que ambos os estabelecimentos estejam localizados no mesmo Estado ou no Distrito Federal.
§ 1o-B. No caso do disposto no § 1o-A deste artigo, deverá constar no documento fiscal correspondente a identificação do estabelecimento no qual a transação comercial foi realizada. ..............................................................................................." (NR)
Art. 6o Os entes federados deverão, no prazo de 1 (um) ano contado da publicação desta Lei Complementar, revogar os dispositivos que contrariem o disposto no caput e no § 1o do art. 8o-A da Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003.
Art. 7o Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.
§ 1o O disposto no caput e nos §§ 1o e 2o do art. 8o-A da Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, e no art. 10-A, no inciso IV do art. 12 e no § 13 do art. 17, todos da Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, somente produzirão efeitos após o decurso do prazo referido no art. 6o desta Lei Complementar.
§ 2o O disposto nos §§ 1o-A e 1o-B do art. 3o da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990, produzirá efeitos a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao da entrada em vigor desta Lei Complementar, ou do primeiro dia do sétimo mês subsequente a esta data, caso este último prazo seja posterior.

Brasília, 29 de dezembro de 2016; 195o da Independência e 128o da República.

MICHEL TEMER Henrique Meirelles Marcos Pereira


Fonte: Diário Oficial da União